Maldita Kanashibari

Sinto que perdi o controle do meu corpo. Não consigo me mexer. Minha respiração fica pesada. Outra vez me sinto sendo observado por alguém enquanto passo pela minha… Desculpas, eu perdi as contas, paralisia do sono. Ser despertado durante as madrugadas têm sido uma das minhas piores experiências.

As minhas primeiras experiências com esse estranho fenômeno começaram na infância. Inúmeras noites sentia um peso no peito, vozes sussurrando algo sem nexo, ou apenas vultos ao meu lado. A paralisia dura cerca de 10 segundos, que podem ser facilmente confundidos com uma eternidade.

Depois de ter presenciado tantos episódios, que mais pareciam uma série de terror da Netflix, busquei métodos para tentar diminuir a frequência desses eventos. Uma das táticas é a de adormecer na posição de bruços. Acabo abdicando um pouco da minha saúde, já que essa posição é considerada uma das piores por forçar a região lombar e cervical. Aprendi que consumir 600 ml de água antes de deitar transformam as chances de ocorrer quase nulas –talvez o único lado negativo é ter que ir no banheiro no meio da noite.

Mas dessa vez a sensação foi diferente. Até a duração foi mais longa. Acabo despertando em meio a escuridão do meu quarto, consigo ouvir uma respiração pesada ao meu lado. Meu primeiro pensamento foi que o meu cachorro estava roncando–sim, eu tenho um cachorro que ronca–, tento virar o meu pescoço, mas o esforço foi em vão. Meu corpo já estava outra vez sob o efeito da imobilidade. Tento gritar, mas a minha voz é silenciada. A agonia que eu senti pôs fim em uma noite tranquila de sono. Eu sempre me questiono se essa experiência é real ou não, já que o pânico que sinto é.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.