Sonhos não são apenas sonhos

Como uma pessoa que leva a sério o sono — embora em horários pouco convencionais para a maioria das pessoas — eu tenho a oportunidade de sonhar muito.

Para me sentir realmente descansada, preciso de 9 horinhas de sono seguidas. Ah, é a felicidade :) Portanto, rola muito sonho e, consequentemente, muitas mensagens do inconsciente.

Meu último relacionamento terminou pessimamente e me deixou traumas que só estou percebendo agora. Tive notícias indesejadas do meu ex e sua desclassificada e o resultado foi um surto de ódio, drama, DR retroativa, enfim, uma vergonheira só, indigna da minha pessoa, diga-se de passagem.

Episódio mexicano à parte, eis que tenho, novamente, um sonho com uma pessoinha de muito longe que me balançou mais do que eu poderia imaginar. Fim de semana passado também sonhei com ele, mas foi um sonho bom (até a parte em que minha gata desaparecia e eu começava a procurá-la desesperadamente), ao contrário do último.

Fiquei toda tristinha o domingo todo por causa desse sonho, achando que era mais um daqueles que funcionam como aviso. Qual não foi minha surpresa quando, à noite, nas minhas reflexões noturnas, percebi que a mulherzinha que aparecia no sonho para me perturbar se parecia com a indigníssima do meu ex. Daí tudo começou a se encaixar.

Resumidamente, o sonho tinha uma parte bem chata em que eu flagrava uma guria toda dando em cima do meu boy magia, mas ele me olhava dando a entender que não era nada que eu devesse me preocupar. Fiz a egípcia por fora, e por dentro queria queimar o mundo inteiro. Mas no sonho, super racional, eu pensava que deveria continuar fazendo a egípcia, ainda que achasse que explodiria. Eles dois ficam sumidos por um tempo, eu também fui pra outro lugar tentar esquecer do episódio. Controlava até a vontade de chorar pra poder curtir algum episódio legal que pudesse rolar, mas não me demorei. Quando voltei pro lugar onde estávamos hospedados, eu e o boy magia, vi que ele tava com cara de quem não aguentava mais a guria. Eles não me viam. Meu sangue fervia, porque percebi que tinha rolado algo e ainda vi um selinho de despedida (bem desanimado da parte dele). Ele entra no quarto, eu ainda fazendo a egípcia, mas dando a entender que tinha sacado, mas não fazia escândalo. Ficamos numa boa e terminamos na maior felicidade embaixo das cobertas. Daí eu tinha outra reflexão, dentro do sonho: se eu tivesse quebrado o pau por ciúme e possessividade, não estaria aqui aproveitando o que a guria vai continuar querendo. Super evoluída, eu.

Acordada e analisando o sonho, abriu-se um portal quando me dei conta de que a guria do sonho parecia a indigníssima da vida real. Comecei a entender que o boy magia do sonho não era o da vida real e que aquilo não era um aviso. Eu estava revivendo a traição do meu ex com aquelazinha e percebia que aquilo não me atingia mais.

Comecei a entender que, ao invés de ficar ali remoendo meu ódio e querendo me vingar sem poder, o melhor era curtir a alegria de ter um boy delícia por quem eu finalmente me interessava e estava ali todo feliz ao meu lado (pelo menos no sonho).

Depois de entender a mensagem do inconsciente, minha tristeza passou. O mais impressionante foi que meu ódio pelo casal no além-mar também. Está quase a zero. E olha que eu tô na TPM, mesmo período em que surtei mês passado.

Foi como tirar um peso das minhas costas, como um dia ensolarado depois de semanas de dias nublados.

Por isso, gente, eu levo os sonhos tão a sério. Para pessoas que vivem na defensiva, que têm o superego sempre ativado e tendem a racionalizar as emoções, como euzinha, os sonhos são uma ótima (senão a melhor) maneira de compreendermos o que sentimos. Depois pode até rolar uma resolução de enigmas, como agora.

E termino cantando uma frase de At Last, na voz da diva Etta James:

“I found a dream that I could speak to…”
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