A brisa que vem da janela da cozinha, de uma porta entreaberta que deixa passar um feixe de luz solar, as 11h da manhã de uma segunda-feira de verão intenso, quente, caloroso, abafado. Essa brisa que vem dar uma trégua no calor incessante que nos leva ao banho uma vez seguida da outra. Essa brisa que tem a capacidade de transportar a gente pra outros lugares e outros tempos, que ativa nossa memória como o gosto de uma comida de infância, ou o cheiro de um perfume conhecido. Essa mesma brisa, que se a gente fechar os olhos por alguns minutos, consegue nos dar a sensação de que esse verão talvez não seja tão quente, que o tempo talvez não passe tão rápido, que a vida talvez não mude com tanta rispidez e intensidade. Essa brisa que por um intervalo de momento nos projeta pra um universo interior que tem a cor do céu durante o pôr do sol, cheiro de chuva anunciada e gosto de banana com açúcar.
