Arizla Ismália
Sep 4, 2018 · 1 min read

O passado está mais oco,

e o presente mais opaco.

translúcida construção civilizatória,

em que o eco de muitos gritos e palavras

documentos de processos, conflitos e passagens

estão agora suprimidos em escombros.

somos filhos órfãos da própria história,

primeiro apaga-se o patrimônio indígena,

depois desconsidera-se os negros,

mais tarde os imigrantes pobres e camponeses,

e, por ironia, o fogo chegara também no tesouro imperial.

permanecemos órfãos de um passado esquizofrênico,

de muitas caras, versões e perspectivas,

e nosso corpo é um corpo sem nome, indentidade, solitário, de formação confusa e deturpada.

o tempo perceptível roeu as estruturas,

que roeu a própria marca e deu adeus ao mundo.

abandonou a condição de história,

tornou-se cinza.

todo o pó que viemos e todo pó que seremos,

o que há no meio disso tudo ninguém mais sabe,

nossa história, meus caros,

está carbonizada.

03/09/2018

Pelas ruínas do Museu Nacional da UFRJ.

Arizla Ismália

Written by

as palavras são a grande medida do meu silêncio

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