Insônia #1
Nada além da sensação do tempo passando e da iminência de se levantar para o trabalho. Mas, isso já não era uma novidade, não para aqueles olhos pregados no teto do pequeno quarto nos fundos da pensão da senhora Finx.
Não havia muito tempo essa situação se tornara comum, cada vez menos rara e mais relevante, devido ao acúmulo de tempo perdido dentro daquele pequeno cubículo de alvenaria secular. Não havia o que fazer, mesmo porque a ideia de sono permeava sua mente de forma incessante, mas sem se tornar tangível da forma que tanto queria. Já havia tentado de tudo: livros, redes sociais, videos pornográficos, etc… nada durava muito, pois uma leve sonolência o impregnava e o enganava de forma constante. Era melhor permanecer deitado, esperando o universo das possibilidades deixar sua mente enquanto se tornava cada vez mais consciente de sua crescente insanidade.
A cada minuto um novo mundo preenchia seus pensamentos. Uma nova emoção era percebida e logo se dispersava no constante ciclo de imaginação e realidade vivido naquelas noites insones. As vezes simplesmente deixava acontecer, esperando que sua resistência pudesse ser o que o impedia de relaxar, mesmo que por um breve momento. As vezes, na maioria delas, simplesmente aceitava o fato de que não estava bem, e se mantinha naquele ciclo infinito e regular de suspensão relativa e preocupações desnecessárias, visto que estava tudo fora de seu controle. Controle… Essa falta realmente o irritava de forma viceral. Sua natureza controladora e viril não lhe permitia posições defensivas, reativas e despreparadas. Sua mente deveria estar sempre afiada para quaisquer situações, fossem de perigo ou de prazer.
Mas, não havia tempo para tal tarefa, não em um dia regular. Por isso se mantinha acordado. Se ao menos pudesse ter previsto isso…