Brasil: como governá-lo.
Quer uma causa que valha a pena para você lutar virtualmente através de sua compartilhada facebookiana? Vou te contar a medida mais necessária para a real governabilidade de quem quer que seja o próximo presidente do Brasil. Você sabe que o congresso chantageia o chefe do executivo (vulgo presidente) pedindo cargos, ministérios e dinheiro (vide o mensalão) em troca da governabilidade necessária para que o governo não afunde e se acabe em questão de semanas. Por isso a Dilma já sai no primeiro dia de governo dando ministério pra gente que sua militância tem asco histórico. Por isso os ministros do Lula ou Dilma eram os mesmos do Temer, como Geddel, Lobão, Moreira Franco, Helder Barbalho e outros. Por isso acreditamos que esse esquema também acontecia com o FHC, e que continua acontecendo com o Temer.

Por isso a própria população, já ciente e perfeitamente acostumada a esse esquema, reluta em votar em candidatos como um Enéias, ou outros lobos solitários tidos como honestos e sem rabo preso. “Não teriam a governabilidade” dizem os pacatos eleitores. “É necessário saber fazer política”, e com isso leia-se: é necessário aceitar o esquema de corrupção e escolher um candidato que concorde de imediato em sustentar a barganha corruptiva do congresso em troca da governabilidade.
Eu nunca entendi porque os covardes omissos do ministério público não chegam prendendo todo mundo com a notícia de que o PMDB resolveu votar “sim” com o governo em um projeto de lei qualquer em troca do ministério das minas e energias. Isso era pra ser uma corrupção tramada às escondidas, e no entanto é noticiada há décadas no jornal nacional como prosaica informação, sem parecer alterar o ritmo de deglutição das sopas dos foliões tupiniquins.
Então, já que esse modus operandi se institucionalizou de forma a ser ignorado por todo o judiciário e pelo “independente” e letárgico ministério público, e à medida que esse samba esquema velho nada mais faz do que dinamitar a democracia de forma permanente, pois o caboclo eleito para o cargo máximo do executivo não emana nunca o poder que deveria ter a capacidade de emanar, só nos resta imaginar uma solução que não dependa dos referidos órgãos necessitados de transplante.
Todo mundo sabe que são os canalhas do legislativo que fodem a bagaça desde o início. E destes, quem fode o esquema, ou na verdade quem o alimenta e se vende pra aprovar as leis mais maléficas, ou mesmo as leis necessárias ao bom andamento do país em troca de algum benefício que não teria o direito de requisitar se parlamentasse em nome do povo e não em causa própria; quem faz isso de forma sistemática e desavergonhada, são os congressistas do baixo clero, aqueles deputados que ninguém conhece. É por causa do baixo clero, de sua existência em grande número, que os canalhas líderes da bandalheira tem o poder suficiente pra controlar o resultado de qualquer votação, porque detém os votos de todos esses deputados de baixo calão.
A solução óbvia seria fechar o congresso, mas como não rola, porque seria ditadura, a melhor solução remanescente para acabar com esse esquema é diminuir a força do legislativo diminuindo o seu tamanho. Não podemos fechar o congresso, mas podemos diminuir seu tamanho, e isso o faria perder força a ponto de inviabilizar o esquema do mensalão institucionalizado.
Se tivéssemos somente 1/3 do número de deputados estaduais e federais que temos hoje, não haveria o baixo clero. Os mais fortes e conhecidos, seja direita ou esquerda, como um Freixo ou um Bolsonaro, estariam lá da mesma forma. Mas justamente esses desconhecidos que se vendem, que seguem Renans como carneirinhos, sem ideologia nenhuma, do baixo clero, não estariam lá. Todos aqueles deputados que mal sabem falar, que nós vimos no impeachment da Dilma, não estariam lá. Infelizmente, nossos melhores políticos nem tentam mobilizar sua militância pra essa que é a única solução possível pra livrar o chefe do executivo da sempre presente chantagem corrupta do legislativo.
Reduzido o número de deputados para 1/3 do atual, o número cairia de 513 para 171 (é, a coisa parece ser predestinada à pilantragem até nos números, o 3 é um número de confirmação, como dou-lhe uma, dou-lhe duas, e dou-lhe 3; ou como o famoso ditado chinês: se um cavalo vence uma vez é sorte, duas, coincidência, três, aposte no cavalo; 3 vezes 171 é a confirmação do estelionato político em uma simbologia numerológica horrível). Pois bem, vamos reduzir um pouco mais, pra 161, pra termos uma soma 8 (sucesso) e fugir do 171. Reduzindo-se para 161 deputados, acabaria o baixo clero, pois esses 161 remanescentes seriam formados por deputados mais conhecidos e mais preparados, com um nome a zelar. O salto qualitativo da representatividade seria enorme e imediato. A chance do esquema acabar seria real, além de gerar uma grande economia para o estado pois cada deputado e seu gabinete custam muito caro ao contribuinte.
Vejam esse exemplo recente em um legislativo estadual. Deputados tão opostos como o Freixo e o Bolsonaro Filho votaram ambos contra a privatização da Cedae (a companhia de água do Rio). Todos os deputados do PSDB e quase todos do PT, partidos tidos como opostos, também foram contra a privatização. Mas ainda sim a privatização foi aprovada pela maioria da casa, decidida por aqueles deputados que ninguém conhece e nunca ouviu falar.
Além dessa redução, para um salto na qualidade da representatividade parlamentar, também é necessário o fim do voto em legenda e do quociente eleitoral. Por causa deles, só 35 dos 513 deputados atuais se elegeram com votos próprios, o resto entrou por causa destes artifícios, e aí entram aqueles que tem mais dinheiro pra apenas se lançarem candidatos em um partido que receba votos. O voto direto sem quocientes e legendas pode até diminuir a força dos partidos, mas isso é bom, pois um parlamentar deve decidir com base em sua consciência e não com base em uma imposição do partido ou por negociatas de seu partido com o executivo.
É evidente que os nobres deputados não vão legislar facilmente a favor da redução de sua própria casa. Porém a enorme força que a pressão popular via internet detém hoje, havendo uma mobilização geral de ambos os lados, direita e esquerda, seria suficiente pra criar uma chance. Fazer o projeto de lei é fácil, basta haver apenas um congressista fora do esquema, e isso há. Mas a pressão necessária só ocorrerá se ambos os lados, direita e esquerda, trabalharem juntos em favor da pauta na internet. Mas eis que surge aí um grave e histórico empecilho: a incapacidade da militância fundamentalista de esquerda em aceitar qualquer medida que proponha a redução do estado.