ENTREVISTA: Profa. Socorro Chaves, coordenadora do Observatório da Economia Criativa da Ufam fala sobre Economia da Cultura

Criado em outubro de 2013 por meio de incentivo do Ministério da Cultura, o Observatório da Economia Criativa/OBEC da Ufam tem como objetivo apoiar projetos de pesquisa científica, tecnológica e de inovação que visem contribuir para o desenvolvimento científico e tecnológico na área da Economia Criativa. O Observatório financia projetos de pesquisa com mérito científico que realizam pesquisa bibliográfica sobre o estado da arte em economia criativa no Amazonas.

Quem está na frente da coordenação desse Observatório é a profa. Dra Maria de Perpétuo Socorro Rodrigues Chaves, pró-reitora de Tecnologia e Inovação da Ufam/Protec. Em entrevista exclusiva ao Armazém de Ideias, a pró-reitora fala do novo conceito criado pelo Observatório após discussões entre os pesquisadores envolvidos na área e sobre a economia criativa na Universidade.

Armazém de Ideias: Quando e por que a Ufam començou a incentivar a economia criativa entre os alunos?

Profa. Socorro: O trabalho aqui na região com a economia criativa é um trabalho que já existia de longa data. A Universidade já tinha vários trabalhos, mas nunca organizados em um orgão interno da Ufam para trabalhar, incentivar a economia criativa. Então em 2013 apareceu a oportunidade junto ao Ministério da Cultura, que buscava incentivar no Brasil inteiro a criação de Observatórios. São basicamente centros de pesquisas para estudar como a economia criativa tem se desenvolvido no país. Criá-los nas Universidades Federais permitiria que pesquisadores pudessem saber quem eram as pessoas que trabalham com a economia criativa e o que isso representa no desenvolvimento regional .

Inscrevemos a Ufam no edital nacional e fomos aprovados, implementando o Observatório em conjunto com 23 projetos. Nós somos um Observatório diferenciado dos outros. O nosso é regional e foca não somente em pesquisa como os outros, mas envolve pesquisa participativa, envolve os segmentos que estão trabalhando com a economia criativa.

Isso aconteceu porque começamos a fazer uma crítica do conceito de economia criativa, vimos que a natureza dela era fundada no modelo capitalista de produção. Quando começamos a fazer essa crítica, veio uma mudança no Ministério da Cultura que tinha também uma visão crítica da economia criativa e isso nós ajudou a trabalhar com outra perspectiva. Hoje estamos trabalhando com o conceito da Economia da Cultura porque ela mostra a valorização dos grupos étnicos da cultura, como isso gera renda que possibilite a continuidade desse modelo de organização.

Trabalhamos hoje com um novo referencial da economia que se aproxima mais da economia solidária que também considere o indivíduo dentre da sua cultura. O trabalho desse indivíduo fortalece a identidade do grupo no qual está inserido.

Armazém: Qual é a importância desse projeto para a formação dos alunos e para a própria Universidade?

Profa. Socorro: Eu acho muito relevante. Nós precisamos ter um conhecimento da valorização da cultura da região. É bom que os alunos comecem a abrir os olhos para observarem o compromisso social que eles têm para o desenvolvimento da nossa região, para que possam apoiar essas iniciativas. Para nós é importante que os alunos saibam o que é a Economia da Cultura. Já assumimos esse propósito institucionalmente, mas se os alunos começarem a se envolver de fato com a formação nessa área, além dos docentes e servidores, teremos pesquisadores universitários formando pessoas preparadas a trabalhar com a nova economia da cultura, com o novo modelo de organização não só dentro da Universidade, mas difundido lá fora.

Armazém: Qual é o destaque da Ufam na área?

Profa. Socorro: A Ufam já ganhou vários prêmios em eventos em que os alunos foram apresentar trabalhos. Nós produzimos um livro sobre a temática, fizemos um portfólio dos grupos de pesquisa e dentro do Ministério nós somos hoje a Universidade que tem mais ações na área de Economia da Cultura. Tivemos vários prêmios de projetos reconhecidos e temos recebido reconhecimento pelos empreendimentos regionais.

O Observatório está com diversos projetos e está pedindo financiamentos para lançar novos editais para envolver mais alunos da Universidade. Pensamos também em lançar um programa aberto a todos os alunos e que valha como créditos para eles. Há participação de todas as áreas em editais, inclusive as do interior da cidade.

Por fim a profa. Socorro lança um convite a toda a população a participar do Evento da Manifestação das Ações de Cultura que vai ocorrer dos dias 9 a 12 de novembro deste ano no Centro da cidade, apoiado pela Ufam e pela Secretaria da Cultura do estado do Amazonas.

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