A minha LIBERDADE não foi dada, foi CONQUISTADA .

Sinto a ressonância do tambor bater mais forte que meu peito. Ele enternece firme titubeando a razão. Pois a senzala não é a mesma, alvoreceu singular e agitada pelo o som do Atabaque. O sol pintando o céu há de anunciar a boa nova que vem vindo com vento junto com o dia que nascerá.
Dia díspar e incomum: a brisa nina a pele abatida pela lavoura, as folhas secas ,calmamente, vestem o chão brocado transformando-o em um belo tapete e o brilho do astro rei resplandece a beleza oprimida da pele Negra.
A casa grande parece tremer: uma carta rubricada tirou-a a paz e no lugar semeou desespero. Ouço gritos ! Gritos de alegria… Vem de lá do terreiro. Lá o Caxixi chocalha cada vez mais forte e o Berimbaul soa com ousadia. Será Festa? Festa? Não ! É voz… ! Voz que fala, voz que não se cala. O povo no Terreiro dança em celebração aos Orixás enquanto em volta tudo se incendeia. Escuta-se ao longe as chamas a consumir o que antes enclausurava. No flamejo, sons do que foram sofrimento, fome, estupro e violência, ecoam… NOITE E DIA.

Enfim a dor acabou. Não é ?! Acabou ? Não ! O sofrimento conservou-se, a fome martelou, o estupro virou rotina e a violência o pão de cada dia. Como animais foram tratados, abriram-se as portas e a deus dará foram deixados. Pobres ovelhas(negras). Abandonadas… Foram deixadas.

COMEMORAR? Comemorar O QUE ? A minha LIBERDADE não foi dada, foi CONQUISTADA. A Lei Áurea, desencadeada e pressionada pelo o novo mercado europeu nascente, não passou de mecanismo para acumulo de capital. Como tentativa de acobertar as atrocidades, venderam-se ilusões e doaram falácias. Nenhum instrumento foi posto como medida a assegurar a ascensão, a qualidade de vida e qualificação deste povo que antes fora escravizado.

O descaso de ontem, reflete no dia de hoje:
O Camburão como Navio Negreiro, degrada.
Os Padrões como Ferro, alisam e açoitam.
A Desigualdade Racial como Feitor, chicoteia.
A polícia como Capitão do Mato, aprisiona, tortura e mata.
E A População como A Casa Grande, fecha os olhos e aponta.

Para lamentações de alguns, as ovelhas(negras) não eram ovelhas. Eram e SÃO LOBOS. Fortes ! Que Lutam por reconhecimento, representatividade. LOBO que Luta pela sua emancipação e que ocupa. Que valoriza sua ancestralidade e cultiva sua alto estima mesmo em meio a padrões.

A este dia, 13 de Maio, resista meu Povo Preto. Se empodere e a teu Irmão Preto também, pois a escravidão não terminou com sua erradicação em 13 de Maio de 1888, pela a princesa Isabel (pressionada pela a potência Inglesa afim de ampliar seu mercado consumidor), ela se prolongou e se faz viva nos dias hodiernos. A falsa abolição aliena e apaga dados. Nos restringe a becos, vielas e impossibilita/dificulta nosso desenvolvimento integral. Escondem problemas e propaga leviandades.

Avante meu Povo Preto
Somos Resistência.
Somos Símbolos de Luta.

SOMOS A LUTA !

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