Carta em resposta ao herói caído em campo de batalha.

“Guerreiro, ouvi falar de tuas pelejas sem glória. Venho nessa carta dizer-lhe que encontrei-me em tua angustia. E na tua batalha, encontrei a minha.
Faz muito tempo que lutei a mesma luta e com medo do que viria pela frente a abandonei. Fugi sem ferimentos do campo com o inimigo, também desconhecido, a rir da minha covardia. Hoje tenho o meu próprio perdão e o dos deuses, mas ouvir teu relato me fez imaginar como seria hoje minha vida se não tivesse fugido. 
O que ninguém pode me dizer é o que você pode viver, amigo. Não abandonas a batalha, pois hoje tenho eu a alma perturbada e incompleta do sonho que deixei escorrer entre meus dedos por pura covardia ou comodidade. Tenta, não pelo meu pedido, mas por honra às feridas que ganhou. Honra aqueles que assim como eu desistiram, e vinga-nos dos fantasmas, dá-nos o descanso. Não desistas, guerreiro! Que estas palavras lhe confortem e lhe deem animo para a luta, e que os deuses sejam contigo amigo.”

Após escrito foi à mão do servo a entregar o bilhete ao herói, que entrando em campo de batalha logo o avistou ajoelhado na areia com uma lança atravessada em seu peito. Ao horizonte ele pode observar o barco que lentamente se aproximava e embarcava mais um quase herói ao hades... O servo voltou para contar as novas a seu amo que, com uma lágrima e um sorriso, se alegrou, e queimando o bilhete em uma vela, pensou consigo:

“Ele venceu.”

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