afogada em um mar de ondas suas.
me joguei no mar que é você, mas sua água era salgada demais e não matava minha sede. precisava que você fosse rio de água doce, calmo e sereno. mas você foi maremoto e eu acredito que a vida é feita de despedidas, mas a nossa me doeu. e como doeu.
procuro metáforas que expliquem o que você foi pra mim e quase enlouqueço dentro da minha própria loucura.
você foi um ataque cardíaco pra quem tinha sofrido diversos infartos e já tem um coração danificado. você foi o sangue que jorrou pra fora da minha artéria, depois de um corte profundo e doeu na minha pele, na minha epiderme e em cada pedaço do meu corpo que viu você saindo de mim.
você foi um vírus num computador que mal funcionava e eu decidi te deixar entrar, mas você agiu como um cavalo de tróia que rapidamente levou tudo que me pertencia.
eu me perdi,
e agora como uma música que ecoa num quarto vazio, eu me procuro. me faço de vibrações das batidas de uma melodia triste sem o amor que você nunca me compôs. nossa música nunca mais tocou do mesmo jeito, as músicas da nossa playlist já não significam mais nada, além da dor que eu sinto ao lembrar de alguma delas.
eu te via como um arco-íris depois da chuva, mas a verdade é que você foi a própria chuva, a própria tempestade que entrou dentro da minha casa e destruiu tudo, tudo aquilo de mais valioso que eu deixei você encostar.
e como quem sobrevive a uma enchente, eu sobrevivi a você, mas talvez sua água ainda esteja empoçada no meu chão.
e eu só preciso te limpar de mim.
