A Indústria do Cinema Brasileiro

Por Natalia Nunes de Farias- RA 21183501–1º Semestre Jornalismo

Fachada do Cine Brasil, final do ano 60 - Fonte: Imagens Amadas, por João Batista Brito

As primeiras empresas cinematográficas surgiram no Brasil no ano de 1930, mas os filmes tiveram maior destacamento a partir de 1960 com o “Cinema Novo”, assim filmes como “Deus e o Diabo na Terra do Sol” e “Terra em transe”, do diretor Glauber Rocha, retratavam a vida real, os problemas sociais e culturais.

Em 1969 foram criadas as empresas públicas EMBRAFILME e CONCINE que incentivaram o cinema nacional, aonde o público espectador de filmes brasileiros chegou a ocupar 35% do mercado nacional e a média de espectadores por filme brasileiro alcançou a faixa de aproximadamente 239 mil — 30 mil a mais que o filme estrangeiro.

Ø A Decadência

A partir da década de 70 houve uma mudança no conteúdo das filmagens com a produção em massa das nomeadas “pornochanchadas” com filmes extremamente apelativos de teor sexual. Tornando-se um grande sucesso para a década, os filmes produzidos deslancharam em números de bilheteria como, por exemplo, “Dona Flor e Seus Dois Maridos” de Bruno Barreto com um sucesso de mais de 10 milhões de espectadores. Porém também é considerado um declínio para o cinema brasileiro por seu conteúdo principal já não ser mais a qualidade e sim o apelo sexual abusivo.

Capa do Filme Dona Flor e Seus Dois Maridos - Divulgação

Mas o maior declínio aconteceu a partir da década de 80 com o fim da ditadura militar, quando a crise atingiu a indústria do cinema nacional. Com a chegada de Fernando Collor a presidência da república, os órgãos EMBRAFILME e CONCINE foram extintos e com eles quase todos os mecanismos de incentivo foram suspensos; assim o cinema nacional entrou em crise. Além de o conteúdo dos filmes se basearem nas pornochanchadas, a situação financeira era cada vez pior. Números de salas de cinema caíram para quase 1/3 do que eram no auge da década de 70, até que em 1995 apenas dois filmes nacionais alcançaram mais de 500 mil espectadores nos cinemas. Premiações como o “Festival de Brasília” tiveram que ser adiados por falta de concorrentes e o “Festival de Gramado” teve que abrir inscrições para filmes internacionais para poder continuar suas premiações.

Ø A Retomada

A indústria voltou a criar força no governo de Itamar Franco, após a criação da Lei do Audiovisual em 1993 que até os dias atuais é muito utilizada. Mas o chamado Cinema da Retomada só ocorreu em 1995, com o marco “Carlota Joaquina, Princesa do Brasil”, filme que levou mais de um milhão de espectadores aos cinemas.

Capa do Filme Carlota Joaquina, Princesa do Brasil - Divulgação

Após o sucesso deste filme a produção cinematográfica nacional cresceu novamente, o numero de longas lançados aumentavam gradativamente e em 2005 o número de salas de cinema já estava o dobro do que na década de 80.Com novos incentivos surgiram novos cineastas e assim mais produções de filmes com melhores qualidades.

Os filmes voltaram a retratar as favelas, sertões e problemas sociais que existem no Brasil, o que acarretou a filmes muito importantes para nossa Historia como “Cidade de Deus” de Fernando Meirelles e Kátia Lund, que foi considerado o marco final da retomada, sendo indicado em quatro categorias no Oscar, além de “Tropa de Elite 2” de José Padilha, que ultrapassou “ Dona Flor e seus Dois Maridos” em recorde de bilheteria após 34 anos.

Capa do Filme Troféu de Elite 2, Inimigo Ágora é Outro - Divulgação

Ø Época Atual

Atualmente os filmes nacionais são muito criticados por suas produções de baixo custo e comédias com artistas de rede Globo, enquanto os hollywoodianos são vencedores em bilheteria dentro do Brasil. Muitos criticam o cinema nacional pelo excesso de esforço em se criar uma obra que represente culturalmente e socialmente o Brasil. Conforme o filósofo Olavo de Carvalho “o que distingue a cultura brasileira de todas as outras é o esforço obsessivo na definição do que é genuinamente nacional. Em sua forma mais radical, nega o direito de cidadania a obras que não tenham uma “cor nacional”. Ou seja, para Olavo de Carvalho as obras nacionais repudiam bons roteiros e direções em prol da representatividade nacional, ignorando o fato que um filme deve ser bom universalmente e não apenas em território nacional.

Conforme matéria Super Interessante, o cinema nacional vive em luta constante para fazer de nossos filmes um espelho do Brasil, o que torna uma tarefa que consome o melhor da inteligência do criador da obra, ao invés de se preocupar com aquilo que realmente deveria interessar: Bons roteiros, boa direção, boa atuação, etc.

Referências bibliográficas:

História do Cinema Brasileiro- Fonte: https://www.suapesquisa.com/musicacultura/cinema_brasileiro.htm

O medíocre cinema brasileiro, por Álvaro Oppermann (2016)- Fonte: https://super.abril.com.br/cultura/o-mediocre-cinema-brasileiro/

Entenda o Cinema da Retomada- Fonte: http://cinemaemcena.cartacapital.com.br/coluna/ler/764/n%C3%A3o-gosta-de-filme-nacional-entenda-o-cinema-da-retomada

A EMBRAFILME, Por Comunicação CTAv (2008)- Fonte: http://ctav.gov.br/2008/10/10/a-embrafilme/