DESIGUALDADE SALARIAL ENTRE HOMENS E MULHERES: UMA DISTORÇÃO HISTÓRICA

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), as mulheres ganham em média 23% a menos que os homens. Na publicação veiculada em janeiro deste ano, a entidade destaca que, exceto na Islândia, não há nenhum país em que o público feminino tenha o mesmo salário do masculino. Isso significa que no Brasil elas têm rendimento habitual médio mensal de todos os trabalhos no valor de 1.764 reais, enquanto eles contabilizam 2.306 reais.

Entre 1995 e 2007, a desigualdade salarial de gênero diminuiu de 38% para 29%. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), “é importante ressaltar que essa diminuição se deve ao aumento do salário das mulheres, e não porque o salário dos homens tem diminuído”.

A economista Betina Fresneda, analista da Gerência de Indicadores Sociais do IBGE, explica que os resultados educacionais não refletem necessariamente no mercado de trabalho. As mulheres, por terem nível de instrução maior do que os homens, não deveriam ganhar o mesmo salário, em média, deles. “Deveriam estar ganhando mais, porque a principal variável que explica o salário é educação. Você não só não tem um salário médio por hora maior, como na verdade essa proporção é menor”.

Em estudo, o Banco Mundial revelou que no Brasil o PIB poderia ter um acréscimo de 3,3% se a força de trabalho feminina tivesse os mesmos rendimentos que os homens. A tabela abaixo feita de dados divulgados pelo SIDRA/IBGE traz a força de trabalho feminina e masculina no brasil, notasse que realmente há uma discrepância nos dados no período de 4 anos onde se matem superior, exceto nas regiões Norte e Nordeste este valor é menor que a média nacional, pode ser explicado por valores culturais e históricos onde o patriarcado ainda é muito predominante.

Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. Tabela_3824

Mesmo trabalhando mais horas, a mulher segue ganhando menos. Apesar da diferença entre os rendimentos de homens e mulheres ter diminuído nos últimos anos, em 2016 elas ainda recebiam o equivalente a 76,5% dos rendimentos dos homens. Uma combinação de fatores pode explicar essa diferença. Por exemplo, apenas 37,8% 39,1% dos cargos gerenciais eram ocupados por mulheres; essa diferença aumentava com a faixa etária, indo de 43,4% 43,1% de mulheres em cargos de chefia no grupo até 29 anos de idade até 31,3% 31,8% no grupo de 60 anos ou mais. Essa diferença fica mais evidente quando se compara os rendimentos de mulheres e homens formados de nível superior chega aos incríveis 63,4%. No mercado de trabalho se da o nome de glass ceiling.

Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.Tabela_4027

Em 2016, as mulheres de 15 a 17 anos de idade tinham frequência escolar líquida de 73,5% para o ensino médio, contra 63,2% dos homens. Isso significa que 36,8% dos homens estavam em situação de atraso escolar. Comparando-se gênero e cor ou raça, o atraso escolar das mulheres brancas estava mais distante do registrado entre os homens pretos ou pardos (42,7%).

Essa trajetória escolar desigual, relacionada a papéis de gênero e à entrada precoce dos homens no mercado de trabalho, faz com que as mulheres tenham um maior nível de instrução. Na faixa dos 25 a 44 anos de idade, 21,5% das mulheres tinham completado a graduação, contra 15,6% dos homens.

Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.

Entende-se é que este tipo de problema não é exclusivo do Brasil, em todo o mundo os dados são Semelhante ou piores.