Sport Club Internacional na Série B: a saga sem fim

Foto: Ricardo Duarte/Sport Club Internacional

Faltando apenas três rodadas para o desfecho oficial da Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro, a disputa pelo título da competição continua. Estamos nos aproximando da tão aguardada 38ª rodada e, enquanto isso, América Futebol Clube Minas Gerais e Sport Club Internacional brigam pela primeira colocação. Ou seja, o título.

Para quem não recorda, o Internacional teve em sua casamata, nas primeiras três rodadas, Antônio Carlos Zago. Depois de um Campeonato Gaúcho (a competição estadual do Rio Grande do Sul) acidentado e passando por contestações. A insistência em jogadores os quais, naquele momento, protagonizavam atuações abaixo do nível esperado por um clube do porte do Colorado, como Anselmo, Ernando, Marcelo Cirino e Paulão, fez o treinador perder força gradativamente.

Atuações burocráticas, construção de jogo limitada, falta de compactação e — alguns diriam até — uma involução do time durante a temporada, além de divergências entre a diretoria e o técnico na metodologia utilizada nos treinamentos acarretaram na rescisão de contrato de Zago. Ele era um projeto de treinador emergente, havia comandado o Juventude, de Caxias do Sul (RS), em sua subida para a Série B (com participação destacável na Copa do Brasil, eliminando o São Paulo Futebol Clube, sendo eliminado por outro gigante, o Atlético Mineiro). Porém, não comprovou as expectativas da diretoria do Inter, tendo assim, o fim de sua passagem no clube.

Pois bem, o Colorado joga a partida de volta contra o Palmeiras, pela Copa do Brasil, vence convencendo, mas termina eliminado com um gol perto do apito final. Nesta peleia, o time de vermelho teve como treinador Odair Hellmann, auxiliar técnico da comissão permanente do clube. Alguns dias depois, um novo comandante tomava posse do posto: Guto Ferreira. A diretoria havia pagado a multa rescisória de seu contrato com o Esporte Clube Bahia justamente para liderar o Internacional rumo à primeira divisão do Brasileirão.

Apesar de um início o qual levantava dúvidas, o “Gordiola”, como é chamado, chegou a emplacar, junto aos jogadores colorados, uma sequência de seis vitórias. Mas sem grande convencimento. Ainda haviam problemas nítidos na equipe, mesmo com intervalos de uma semana entre um jogo e outro. No entanto, o discurso era pautado por classificar, conquistar o campeonato e, então, planejar o 2018. O vice de futebol, Roberto Mello, chegou a dizer que a largada da competição não importava tanto quanto o desfecho, onde, segundo ele, é que era decidido quem vencia.

Exatamente por esta frase, sempre lembrei do livro Guardiola Confidencial, de Martí Perarnau, onde o jornalista descreve um conceito do técnico catalão: um campeonato se perde nas oito primeiras rodadas e se vence nas últimas oito. A receita estava dada desde o início. O Colorado não fez um bom início, demorou para alcançar a briga pela liderança, costumeiramente com um futebol burocrático, previsível, sem nenhuma alteração no plano tático. Portanto, contemplando um planejamento sem sucesso, falhando na permanência no topo da tabela.

A chegada de Guto não representou uma melhora significativa na equipe, mas nos resultados. Após a boa sequência de vitórias, o Internacional voltou a oscilar na competição e, por fim, ficou quatro rodadas sem vitória e com sofrimentos até em jogos que terminaram em empate. O sábado, 11 de novembro, será marcado no 2017 do clube, onde mais uma demissão, a quinta de um comandante, num arco entre janeiro de 2016 e o presente momento.

Agora o Inter apostará todas as fichas na boa relação entre Odair e o grupo de jogadores, o fator anímico que poderá ser desenvolvido nas próximas três rodadas. Precisando vencer Oeste e Goiás em suas respectivas casas, o time do estádio Beira-Rio não tem tarefa fácil, até porque não depende apenas de si. O veredito do fim trigésima quinta rodada constata: América é líder.

Costumo defender a permanência de técnicos quando têm pouco tempo de trabalho, quando mostram recursos táticos, contribuem para uma evolução sistêmica da equipe. Infelizmente, nenhum destes foi o caso de Guto Ferreira. Com mais uma demissão, o planejamento do clube é justa e profundamente contestado.

Foram poucas partidas dentro dos 35 jogos disputados até o momento nos quais os torcedores puderam dizer: “este é o Inter que eu queria ver!”. Recordo da primeira partida, contra o Londrina, e no embate contra o Goiás, no Beira-Rio. É uma escalada melancólica e sofrível, na qual o time alvi-rubro ainda é uma incógnita. Nas entrevistas, nem os dirigentes sabem esclarecer “o melhor estilo de jogo” a ser posto em prática com as peças à disposição.

Paira, então, a dúvida: o 2018 já está sendo planejado? E outra, o Internacional conseguirá se sagrar vencedor? São capítulos que remetem a momentos similares do clube, momentos de dificuldade dentro e fora de campo. A saga teve início em 2015, com a contratação de Argel Fucks, e — para os colorados — parece não ter fim, pois não garantiu o acesso de forma honrosa, com o título.

São quase dois anos, a torcida respira em suspiros.