É difícil vir pro Japão depois de cruzar a China e não querer levar um japonês na mala.
É uma opinião, não me julgue.
Faz 1 ano e meio que saímos do conforto. Se engana muito quem pensa que viver pulando de país em país, trocando de trabalho, número de celular, conta no banco, língua, produtos do supermercado, é fácil. Muitas vezes é mas a maioria não. Principalmente porque não estamos viajando de férias constantes. Vivemos low budget e isso se aplica pra todos os momentos que passamos aqui desde que saímos do Brasil.
Porém, muito importante, é saber que viver low budget na Europa é uma coisa. Lá, eles têm a opção barata de qualquer coisa que você pensar. E não é que tudo que tínhamos era tosco ou ruim. Na verdade, eles têm muitas coisas boas com preços baixos. O que é completamente diferente quando você vai pra China. Lá, o bixo é mais complicado, a parada é mais seria.
Começando pelo fato de que comer ou beber qualquer coisa que você ver na rua não é uma opção. Tentei isso nos primeiros dias achando que tudo ficaria bem e não ficou. Lá, não é que você vai numa padaria e compra pão, no mercado e compra queijo e vuala, sanduíche de café da manhã, que pode virar almoço e jantar. Lá, não tem padaria com pão, mercado com queijo e nada dessas coisas que a gente compra quando tá na pegada de economizar dinheiro em viagem. Lá, café da manhã é sopa, macarrão e outros. Alguns desses outros de procedência bem duvidosa. Lá, não é que você acorda, sai rapidão na rua pra comprar algo pra comer e já era. E foi aí que me ferrei uma vez que achei que a vida seria fácil assim por lá. Não foi, passei fome, sai faminto e com alguns quilos a menos (o que foi incrível pra mim uma vez que tava vindo de um ritmo de Europa onde tem salgados e doces incríveis pra todo lado).
E aí aconteceu a mágica do Japão. Chegamos aqui, me deparei com vending machines pra todo lado. Sucos, refrigerantes, cervejas, cafés, tudo que um bom ser humano do mundo ocidental precisa. Além disso, mercados com salgados recheados, cones/croissants de chocolate, tudo lindo e paradisíaco. Mas não é só disso que se vive no Japão, claro que não. Temos que considerar também as incontáveis loja de conveniência com suas vitrines de fritura (até risoles de queijo mermão!), bolinhos de arroz com recheio de peixe (tipo um sushi gigante take away), balas espetaculares, e os milhares e mais milhares de restaurantes japoneses com as mais incríveis opções de sushi, sashimi, niguiri e todos os outros que seguem essa linha que todos nós conhecemos bem.
Mas a real é que a questão não é só a comida não. Sair de um país onde a população é levemente mal educada, onde te empurram independente da situação, cospem no chão em qualquer lugar e não falam absolutamente nada de inglês e vir pro Japão, é jogar sujo.
Não fazia ideia disso até chegar aqui mas o Japão tem a população mais incrível que tive o prazer de me relacionar até então. São extremamente educados, atenciosos, vão te ajudar a qualquer custo, não querem te passar a perna e tudo mais que se pode esperar de uma população maravilhosa. O que, claro, reflete nas ruas, no transporte, nos restaurantes, nos pontos turísticos, em qualquer lugar.
Tudo tem sido espetacular aqui até então e teria sido mesmo se tivéssemos vindo da Dinamarca ou qualquer outro desses países com o IDH lá em cima. Mas convenhamos que viajar pela China e depois pisar no Japão, faz brilhar ainda mais tudo de incrível que esse país tem pra oferecer.
A China é e foi espetacular e isso eu não coloco em questão. Mas que o Japão fica ainda melhor depois dos perrengues da China, fica.