Ser turista também cansa. Acredite.

Pode parecer um absurdo dizer que a vida de turista cansa. Na verdade é e eu jamais imaginei que diria isso alguma vez na minha vida. E não me entenda errado. Não é sobre viajar, ou sobre estar na estrada. É unicamente sobre ser turista.

Ser turista não é um estilo de vida. Na verdade quando escolhemos viajar pelo mundo não decidimos ser turistas pelo mundo. Tanto porque, acho que chega uma hora que o que você mais quer é simplesmente parar em algum lugar e respirar.

Conhecer cidades e lugares novos a cada 3 dias é incrível. Mas cansa. A sensação, a disposição, não é a mesma mais. Você não tem aquela vontade de tirar 457 fotos do mesmo ponto turístico. Você não quer sair andando que nem louco, desbravando todas as cidades toda hora. Tem um dia que você simplesmente preferiria ficar em casa, ligar o computador, assistir uma televisão, sei lá. Não fazer nada. E na verdade é tão difícil fazer isso quando você está numa cidade incrível por alguns dias. Mesmo aquela que você já conhece. Imagina a seguinte situação então…

Depois do choque de estilo de vida que tivemos ao viver em Lucca, chegamos no momento de deixar a cidade, o B&B e seguir por uma viagem de carro por 3 dias pelo norte da Itália, até chegar em Veneza. Já tínhamos uma passagem de trem de Veneza para Roma no 6º dia e depois de Roma ainda não tínhamos nenhum outro destino (estávamos mandando e-mails e mais e-mails para conseguir mais um HelpX, dessa vez pelo Sul da Itália, enquanto esperávamos finalizar o processo da minha cidadania).

Saímos então de Lucca, fomos para Pisa para pegar nosso carro e começar nossa roadtrip. Foi uma viagem incrível, passamos por lugares maravilhosos, acordamos bem cedo todos os dias, íamos dormir tarde, dirigindo o dia todo, tirando muitas fotos. No carro todas as nossas coisas, praticamente a nossa casa. Chegamos em Veneza, deixa mochila no quarto, vai pra cima de mais uma cidade. Desbrava aqui, anda alí, tira foto do monumento, da igreja, senta pra fumar um cigarro, bebe água, faz isso, faz aquilo. E assim foram nos próximos 2 dias que ficamos em Veneza. E que lugar incrível.

Pegamos o trem para Roma de madrugada, chegamos na cidade bem de manhã. Como já tínhamos visitado Roma 2 vezes, nosso plano agora seria de usar a cidade para descansar pelos 3 dias que ficaríamos nela, até ir para o nosso próximo HelpX (encontramos um casal que aceitou a gente em uma casa de campo em Torri in Sabina, um pequeno vilarejo há 1 hora de Roma. Perfeito).

Só que chegar em Roma e pensar em ficar dentro do quarto, é praticamente impossível. É Roma poxa. Você quer rever isso, aquilo, tirar mais algumas fotos do Colisseu que agora parece diferente de alguma forma. Escolhemos até um passeio importante que ainda não tínhamos feito em Roma para fazer. Visitar o Museu do Vaticano e a Capela Sistina. E lá vamos nós com mochila nas costas, sanduíches, água, paradas para comer pizza aqui, sorvete ali. Camelamos por toda a cidade pelos 3 dias que ficamos lá. Camelamos mesmo. Cruzamos ida e volta toda a cidade algumas vezes nesses dias, só nessa de “poutz, e se a gente desse uma passada ali na Piazza Navona e depois na Fontana de Trevi?”. E por ai fomos bem longe. No final da nossa estadia em Roma estávamos acabados. E mesmo durante o período de Roma, percebemos que por mais que quiséssemos andar e andar, fotografar e fotografar, já estávamos meio cansados. O pique não era mais o mesmo.

A verdade que percebi depois desses dias de Roma é que eu estava cansado de turistar. O choque de chegar em uma atração já não era mais o mesmo. De acordar em sair andando pelas ruas com um mapa na mão, sem direção. Percebi que precisávamos de dias normais, onde pudéssemos ficar em casa, descansando, sem fazer nada. Nosso final de estadia em Lucca tinha sido bem turístico, a viagem pelo Norte bem cansativa, os dias em Veneza, quentes e fotográficos e os de Roma, o limite para percebermos o cansaço.

Esses dias de descanso enfim chegaram. Fomos para Torri in Sabina, uma cidade que ainda nem vimos a cara, conhecemos nossos novos Hosts e entramos em uma rotina bem diferente, bem interessante e bem local. Mas isso fica pra outra hora.

De novo, turistar é algo que quero fazer pro resto da minha vida. Talvez apenas, com um pouco mais de espaço para respirar entre a cama e a praça central.

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