IB na Copinha — São Raimundo, agora no topo do Norte!

*Publicado originalmente no Indústria de Base

A saga que começou ainda no final de 2015 com a viagem até a cidade de São Paulo terminou duas semanas depois, com a eliminação frente ao tradicional Juventus no histórico estádio da rua Javari e a volta para casa. Na bagagem, experiências, memórias e esperança depois da melhor campanha entre os times da região Norte do país, o São Raimundo “caiu de pé” nas palavras de seu presidente Sérgio Carvalho e se isso aconteceu não foi por acaso.

Como documentado meses atrás aqui no IB a equipe de Roraima é a única com centro de treinamento próprio na cidade de Boa Vista e vem dominando as competições de base do estado, realidade que foi refletida na campanha da equipe. Invictos na primeira fase os garotos do São Raimundo empataram com os donos da casa, o Nacional, na primeira rodada. No jogo mais esperado da primeira fase contra o poderoso Vasco na segunda rodada a previsão do técnico Beto Vieira acabou se concretizando “vai ser Davi contra Golias, nada é impossível”, o São Raimundo saiu na frente com gol de falta Luan de Souza ainda no primeiro tempo, nos últimos minutos do jogo os vascaínos conseguiram o empate também em cobrança de falta. Na última rodada a vitória sobre o Guaicurus garantiu a vaga, o São Raimundo terminou a primeira fase na segunda colocação do grupo 27 — foram 28 grupos ao todo — com cinco pontos, mesma pontuação do líder Vasco.

ESPERANÇA E DOR

O ponto alto da viagem e da competição para Luan, de 17 anos, foi o gol marcado contra a equipe cruzmaltina transmitido em rede nacional, porém, perguntando sobre a melhor experiência na Copinha o garoto destacou com humildade a oportunidade de disputar um campeonato de nível nacional [a melhor experiência] foi ver que uma Copinha é diferente a gente joga estadual direto mas ir para a Copinha é uma experiência muito boa, é com certeza o melhor campeonato de base que podemos disputar e a gente vai sempre buscar ir além para representar o estado de Roraima e o Norte todo”, ponderou.

Kelvyn (dir) e Luan no saguão do hotel após o primeiro jogo contra o Nacional. Foto: Arthur Sales

Luan machucou o pulso no primeiro jogo contra o Nacional, jogou como se nada tivesse acontecido as outras três partidas da equipe no torneio para descobrir apenas na volta à Boa Vista, quando finalmente foi submetido à radiografia, que jogava com o osso fraturado. O jovem jogador se recupera ao lado da família enquanto estuda seu futuro “vou chegar aos 18 anos agora, tenho a expectativa de que esse ano seja muito bom. Tenho algumas propostas falaram com nosso presidente e estou aguardando, o que vier vou conversar com ele e com minha família para gente decidir o que é melhor para mim”, revela o garoto.

JOGAR JÁ É UMA VITÓRIA

Quando se fala que para algumas equipes de centros mais afastados entrar em campo já é uma vitória muitas vezes não é exagero. Esse não é exatamente o caso do São Raimundo que veio de Boa Vista, a capital estadual mais ao norte do país, o time era e se mostrou competitivo ao longo do torneio, mas a saga pela qual os jogadores e comissão passaram para estrear no dia 3 de janeiro mostra o desafio logístico que muitas equipes tem que enfrentar e vencer para entrar em campo na Copinha.

Antes de embarcar o presidente Sérgio Carvalho precisava viabilizar a viagem, definido o grupo, as datas e os locais dos jogos da primeira fase o clube tinha que levantar o dinheiro das passagens em pouco mais de um mês. Com o apoio da prefeitura que disponibilizou cinco passagens aéreas além do empresariado local e a família de um dos jogadores a ida dos 21 membros da delegação, dividida em dois grupos, foi garantida.

O primeiro grupo, com os principais jogadores e o técnico Beto Vieira, enfrentou 12 horas de ônibus de Boa Vista até Manaus, e aguardou das 10 da noite do dia 31 até as 5 da manhã do primeiro dia do ano no aeroporto para embarcar com destino a São Paulo. O segundo grupo chegou no dia 2 no hotel.

SOBRE PASSAR O ANO NOVO NO AEROPORTO E A VIAGEM

“Achei que iria ter bem menos gente” — Kelvyn Roxsan, capitão da equipe

“É diferente passar o ano novo ali longe da família” — Luan de Souza

Instalados em um bom hotel no centro de São Paulo junto com outras quatro delegações, incluindo o próprio Vasco, os roraimenses precisavam negociar diariamente onde treinar, em alguns dias as conversas com os representantes da Federação Paulista, responsável pela organização do torneio, deram certo e o direito de usar um campo de grama natural era conquistado, um dia isso não foi possível e a equipe treinou em gramado sintético.

Chegada da delegação à Boa Vista. Foto: Sou Mundão — Torcida organizada do São Raimundo-RR

Na volta mais 9 horas de espera na rodoviária de Manaus antes da longa viagem de 12 horas até Boa Vista, mais experientes no futebol e na vida os garotos voltam de São Paulo com a cabeça erguida e esperançosos com o futuro.

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