por Michaela Blanc / Artikin
A dupla de artistas exibe trabalho na primeira edição da Toronto Biennial of Art
Sob o título “The Shoreline Dilemma”, ou “O dilema da linha costeira”, a primeira Bienal de Arte Contemporânea de Toronto, foi inaugurada em 21 de setembro de 2019 e tem encerramento previsto para 1º de dezembro. A exposição foi desenhada a partir do contexto histórico da cidade, lar de mais de 250 etnias e que conta com mais da metade de sua população nascida fora do Canadá. Toronto tem a reputação de ser a cidade mais culturalmente diversificada do mundo e como reflexo desse contexto específico, a Bienal apresenta artistas canadenses, indígenas e internacionais, mais de 50% dos quais são BIPOC (negrxs, indígenas e pessoas de cor).
Para justificar o conceito da exposição os curadores Candice Hopkins e Tairone Bastien explicam no texto de apresentação: “Linhas costeiras resistem ao mapeamento convencional. Sempre mutáveis e fractais, eles não têm um limite bem definido e evitam tentativas de quantificação. O Dilema da Costa (também chamado de “Paradoxo da Costa”) implica a quebra de convenções científicas em face das complexidades da natureza. Em Toronto, esse dilema foi ampliado pela reformulação radical da orla da cidade, que põe em questão os direitos à terra e água em contraponto ao desenvolvimento acelerado”. Os programas gratuitos da Bienal estão espalhados por toda a cidade e tentam criar diálogos entre diferentes comunidades a partir de uma variedade de perspectivas.

Bárbara Wagner (nascida em Brasília) e Benjamin de Burca (nascido em Munique, Alemanha) –– atualmente ambos moram em Recife –– exibem o trabalho comissionado RISE (2018). O curta que foi produzido em colaboração com poetas, rappers e músicos da R.I.S.E. Edutainment (Reaching Intelligent Souls Everywhere), apresenta jovens do coletivo formado principalmente por imigrantes de primeira e segunda geração de famílias caribenhas, produzindo música no metrô de Toronto. Segundo o folder da exposição: “para esses jovens o ritmo e a poesia são um ato de fortalecimento e auto-expressão”. Em fevereiro de 2019 RISE recebeu o Audi Short Film Award, no Festival de Berlim.

Desde maio, a dupla detém a responsabilidade de representar o Brasil na 58ª Bienal de Veneza — uma de escolha de Gabriel Pérez-Barreiro, curador da 33ª Bienal de São Paulo. No pavilhão situado no Giardini, Wagner e de Burca apresentam Swinguerra (2019), um filme sincronizado em dois canais que explora movimentos de dança nas periferias da cidade do Recife. Ainda, o filme Estás Vendo Coisas (2016) faz parte da programação atual de exposições do Pérez Art Museum (PAMM), em Miami.
Michaela Blanc — Pesquisadora independente e curadora emergente, interessada em arte contemporânea das Américas. Vive em Cambridge, MA, de onde colabora com o Artikin rastreando artistas brasileiros em exposições pelo mundo.
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