ARTISTAS CEARENSES, RITMOS DIFERENTES

Fotografia: Rennó Nogueira

Aqui temos o retrato de duas faces da arte cearense Dhiovana e Fabi, que são verdadeiras guerreiras, cada uma a seu modo, na luta pra sobreviver em frente ao ritmo urbano da cidade de Fortaleza.

Dhiôw

Dhiovana é uma ilustradora quadrinista cearense, que com suas tirinhas autorais na sua página no facebook Adivinha Dindi, por meio do humor, traz reflexões sobre o cotidiano e amores na cidade de Fortaleza. Mulher negra e de periferia, vem ganhando seu espaço não só localmente mas também nacionalmente, se impondo e lutando contra o machismo e racismo no meio artístico. Suas tirinhas mostram também uma visão crítica acerca do contexto conservador que estamos vivendo no Brasil e mostrando que os quadrinhos também podem ser um palco para demonstrar posições políticas. Sempre com um sorriso no rosto e disposta a curtir as praias da cidade essa é Dhiôw.

1.Quem é você como artista?

“Meu nome é Dhiovana Barroso, mas assino meus trabalhos como Dhiôw, um apelido que trago desde a infância e sinto que me representa, ele tem força. Trabalho com quadrinhos e os estudo desde 2013, e me considero quadrinista. Também faço ilustrações e algumas intervenções, gosto muito de arte urbana e de tudo que vem da rua. Sou feminista e gosto de trazer isso pro meu trabalho, que virou uma coisa bem autobiográfica, quase um diário as vezes. Gosto muito de afagar os corações dos amantes, mas também gosto de incomodar.”

2.Você se identifica com o seu “eu” profissional? Como você se coloca no seu trabalho?

“Sim. O meu trabalho é muito sobre mim, são as minhas histórias, o meu dia a dia, as musicas que escuto e mexem comigo de alguma forma, os amores que aconteceram, não aconteceram ou estão acontecendo.”

3.Quem é você na sociedade?

“Na sociedade sou uma mulher negra, periférica, gorda, pansexual, pobre. Trabalho e estudo, faço duas faculdades. Estou no sétimo semestre de jornalismo que faço lá na Estácio e acabei de começar Artes Visuais no IFCE. Como os dois são no mesmo período vespertino, tenho que intercalar os dias e horários das aulas. Escolhi o jornalismo porque sempre gostei de escrever, mas depois que descobri os quadrinhos e vi que dava pra juntar tudo que eu escrevo e desenhar, me vi na duvida se queria seguir só nele. Achei as artes visuais e quero juntar os dois numa coisa só, e, quem sabe de quebra, trabalhar pra sempre com arte. Sou estagiária no sindicato dos professores, a APEOC, na área da assessoria de imprensa. E, mesmo com essa vida toda corrida, ainda gosto de ver meus amigos todo dia, de beijar devagar minha namorada e comer kalzone de quatro queijos.”

4.O que achou do convite para esse projeto?

“amei te amo matheusin”

Dhiovana Kécia Barroso Sarmento, 22 anos

Fabi

Fabi é uma artista nômade que teve como sua última e atual parada Fortaleza. Com uma identidade bem visível, diariamente a artista, que tem como seu palco a rua, vem trazendo sorrisos nos semáforos por meio da arte da palhaçaria. Faz pequenos shows com uso de malabares e humor, ganhando no seu dia a dia o necessário para sobreviver. Se recusa a seguir a lógica mercadológica, de servir ao sistema ou a uma empresa. Se locomove de bike, já mostrando uma certa quebra à norma de domínio dos automóveis. Sua identidade já demonstra uma certa revolta em relação a sociedade de consumo capitalista. Fabi tem um verdadeiro fascínio pela natureza, demonstrando isso ao preferir um maior contato com o verde e ambientes naturais. Ela usa um malabares, sabe de aero-acrobacias, faz artesanato por meio de uso de nós. É marginalizada dentro da sua própria classe por usar um tipo de malabares mais simples.

  1. Quem é você como artista?

“ Me chamo Mary Jany, sou uma artista feliz em busca de reconhecimento profissional; além de me realizar ao vê o meu público feliz, pois esse é meu objetivo e também retiro do meu trabalho o meu sustento e busco em meio ao caos transformar a vida do meu público melhor.”

2. Você se identifica com o seu “eu” profissional? Como você, se coloca no seu trabalho?

“ Sim e muito, é como gostaria que fosse o meu mundo uma brincadeira onde só houvesse somente alegria, mas procuro passar para meu público que a palhaçada é um trabalho que requer dedicação e respeito é da onde retiro minha dignidade.”

3. Quem é você na sociedade?

“Eu sou como qualquer outro profissional com deveres e direitos”

4. O que achou do convite para esse projeto ?

“Como respondi na primeira pergunta, procuro ser reconhecida como profissional e participando desse projeto, vejo que já sou reconhecida no meio artístico/profissional, amei por demais o convite, muito obrigada pela preferência. Sou artista de rua palhaça Mary Jany …”

Maria Fabiany Barbosa de Oliveira, 28 anos.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

COMUNICAÇÃO SOCIAL — PUBLICIDADE E PROPAGANDA 2017.2

PROFESSOR: Wellington de Oliveira Jr.

TEORIAS DA COMUNICAÇÃO 2

PRODUÇÃO: Francisco Lucas, Rennó Nogueira e Matheus Teixeira

30 de Novembro de 2017

Fortaleza-CE