De fora do fluxo

Alguma mente sagaz deve estar por trás desse anúncio do Pokémon GO no Brasil há poucos dias da abertura Olímpica. SIM, extremamente calculado o atraso de quase 1 mês para brindar o mundo com as reações bêérrizadas do maior trend topic do momento. Pois é, legal, bacana, mas… e ficar de fora disso, como é?

Existem níveis de “ficar de fora”. Existe uma fatia que nem ficará sabendo, pessoas excluídas pelas mídias de massa, ignoradas pelo governo e trancadas para fora da bolha que cada vez mais se constrói na sociedade, na base de um classismo racista e extremamente opressor.

Outra fatia é a de pessoas que veem em um lugar ou outro uma notícia mas não estão imersas naquilo. Uma fatia cada vez mais rara, já que o bombardeio de informações tem cada vez mais canhões e menos pudores.

Já a fatia que vamos comentar — e não vitimizar, afinal somos pessoas extremamente privilegiadas que talvez pela primeira vez ficam sem algo na vida — é a de humaninhos que estão imersos naquilo tudo, vivem no Facebook, tem amigos fanáticos por Pokémon, GOSTA de Pokémon e… tem um celular que só t r a v a. Como eu disse, o mimimi fica de fora deste texto, vamos aqui apenas analisar como é ficar de fora daquilo que todo mundo está falando.

Bom, troca-se o foco da lente e já não olhamos mais para Pokémon ou qualquer outro ponto do mainstream, mas sim pelo fenômeno de ser passivo num mundo de canhões maiores que navios - e que ao mesmo tempo cabem na sua mão - que jorram experiências, imagens e sentimentos alheios em torno de um ou dois acontecimentos.

Pois bem, mergulhado em tal mar, existe uma primeira saída que é a exclusão. Se você já é uma pessoa anti-social fica mais fácil. Caso não, avise suas queridas amizades que você não quer fazer parte daquilo, abra a porta de seu freezer e mantenha-se algumas semanas lá.

Outra sugestão é a de canalizar todo seu ódio existencial para aquele fato e virar um babaca que passa o dia reclamando de tudo aquilo e de todos que cercam tudo aquilo. Você veste o boné hater, alonga os dedos e despeja toda sua raiva naquilo até o Facebook te bloquear. Uma dica, para os simpatizantes deste método. Avise todos seus migos e migas para já cancelarem seu feed, assim seu ódio ecoa apenas no limbo internetês e não entra em nenhum coração :)

A última opção que enxergo, e devo dizer que curto, é a de respirar profundamente e aproveitar suas pequenas férias da sociedade imediatista-efêmera-faladora-egoísta. Sim! Fale com você mesmo, vasculhe cadernos antigos, corra no parque com as mãos livres para acenar para as árvores, coma bastante e no fim reflita sobre como sua vida mudou e sobre como é possível viver alheio ao que todos estão vivendo, n’outra sintonia.

Se você for uma pessoa de muita sorte, terá um outro alguém também com o celular ruim ou que não assina o Netflix, e aí, fica fácil. Ame-a :)