Deus Ex Machina (me proteja da tecnologia)

que minhas lentes captem momentos
 que eu curta experiências
 que eu siga na direção certa
 e que execute boas ações 
 
 que eu não reproduza virais
 que eu jogue fora os maus hábitos
 e que eu compartilhe as virtudes reais
 em meio a tantos campos virtuais
 
que eu saia do digital
 e que nos outros avatares
 eu deixe digitais

que eu instale a empatia
 que eu baixe o ego
 e que eu exclua a indiferença
 
 que eu reinicie os meus sonhos
 que eu mude minhas configurações
 que eu imprima tolerância
 deixe boas impressões
 
que da noção eu vire inscrito
que eu faça login na minha consciência
 e acesse os sites do meu ser
 
que eu abra janelas do pensamento
 pesquisando a minha essência
 nessa incerta linha do tempo
 
 que eu carregue comigo a verdade e a lucidez
 que eu tire os filtros que me cegam
 e que eu recarregue minha energia
 pois curto é o tempo dessa bateria
 
 que eu dê zoom no universo
 e que no monitor eu veja
 que sou apenas mais um dado
 nesse infinito sistema
 
 que me conecte com o mundo
 que minimize as fronteiras
 e que nos atualizem de que somos 
 pequeno arquivo da criação apenas
 
 que eu solicite amizade à mim mesmo 
 e que eu não caia na rede nem ao chão
 que eu seja um sóbrio navegador
 nesse dilúvio de informação
 
 que dos limites eu não seja mais servidor
 e que juntos façamos um cabo de força
 para do amor ser provedor
 
 que eu atualize meu android interior
 que eu desligue a tela, tomada e interruptor
 e que eu ligue mais pra mim
 o usuário de mais valor
 nesse aplicativo chamado vida
 
 que eu receba a notificação
 de que sou livre, então
 dessa mórbida compactação 
 
 (Deus me proteja da tecnologia)