Os doces momentos de solidão

Há uns meses, botei na cabeça um projeto de começar a escrever. No entanto, esse projeto resumiu-se em apenas um texto e em uma infinidade de preguiça após o mesmo. Mas, recentemente bateu a vontade de escrever e aqui estou.

Enfim, quero falar, nesse texto, sobre meus momentos de solidão e de como eu aprecio e valorizo tais momentos. Mas calma, não estou depressivo e nem estou me sentindo só. Esses momentos de solidão são feitos por livre e espontânea vontade. Mas…como assim?

Bem, durante o tempo que eu morei na Irlanda, vi o peso do que é morar sozinho e, assim, ser responsável pela faxina do meu quarto, por cozinhar a minha comida e, além de tudo isso, estar longe da minha família e amigos. Resultado: por haver muito menos cobrança na Irlanda do que em Fortaleza, eu poderia ter os meus momentos de solidão sem muito peso na consciência. O mais legal de tudo isso, eu passei a valorizar tais momentos.

E quais momentos tão valiosos eram esses? Por incrível que pareça, eram, exatamente, as situações rotineiras mais odiadas de qualquer jovem adulto. Faxina de quarto, cozinhar e lavar a louça tornaram-se, surpreendentemente, as horas as quais eu mais encontrava paz. Óbvio que não era toda vida que eu ia lavar a louça com um sorriso no rosto. Precisa de todo um ritual. Eu precisava/preciso de ter tempo livre para fazer tal atividade, colocar uma playslist legal no Spotify e preciso estar sozinho. Afinal, é uma das poucas ocasiões na vida que posso dizer que é somente meu. Nenhuma preocupação me interrompe, o presente, naquele momento, é o que me basta.

Chega até ser engraçado, pois esses momentos não têm uma rotina para acontecer. Simplesmente, do nada, aparece a vontade de lavar toda a pilha de louça suja da cozinha. Há épocas que essa vontade bate toda semana. Em outras, é uma vez por mês e olhe lá. O importante é, que ao final destes momentos, eu estou bem tranquilo e feliz. E, para um cara ansioso como eu, isso vale ouro.

Você deve estar se perguntando que tipo de pokémon estranho eu sou. Entenda, não é o fato de estar fazendo atividades chatas que me deixa feliz, mas sim, todo o ambiente que eu crio para tornar única esta atividade e não algo simplesmente rotineiro.

Enfim, esse texto é fruto de um destes momentos de doce solidão que eu acabei de falar. Neste momento são 23h57, está tocando a playlist Popmix do Spotify e de uma coisa eu tenho certeza: dormirei com uma profunda tranquilidade durante esta noite. No mais, é isso. Paz pra quem fica.

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