Não se mate

Vamos falar sobre o que ninguém quer falar? Ultimamente ouvi muitos relatos de tentativas de suicídio de pessoas próximas.
Me sinto triste e surpresa, porque são justamente pessoas muito amadas. Então talvez falte, em todos nós, mais compaixão. Pra falar sobre isso, pra dar mais as mãos e pra criar laços que extrapolem a dor da vida.
O problema é que vivemos muito auto-centrados. Há milênios tentamos aprender essa lição.
Compaixão é sobre reverenciar o outro, sobre dizer da sua importância e sobre parar de colocar o amor apenas como uma responsabilidade, ou como um favor. A compaixão liberta porque é horizontal. Ela dá ao outro o direito de existir, ainda que lhe falte alguns pedaços.
Então para os amigos queridos, e qualquer um que precise conversar, estou aqui. Humana e vulnerável, estou aqui. Vamos sentar em um mesmo nível e falar.
Um poeminha que escrevi há algum tempo e que dedico a todos que lutam pela vida:
“Fique”
São doces as coisas que alimentam o coração.
É possível pensar em águas e ser sobrevivente do naufrágio de si mesmo.
A morte é somente outro lugar, ou talvez outro tempo.
Então fique.
Fique aqui para se desculpar, não por existir, mas pelo mundo que mata suas crianças em esquinas escuras manchadas de sangue.
Fique para lutar ao lado daqueles que vivem e dividem a mesa com qualquer um que sinta fome.
Fique pra aprender a ser compassivo, para ver belezas e aprender sobre o amor.
Fique. Você merece o segundo após o nascimento e o berço onde vive. Sei que você o dividiria com os outros 7 bilhões de vidas.
Então fique. Acredite nas realidades que são filhas dos sonhos e irmãs da esperança. Acredite no tempo dos passarinhos e no colo que o mundo te dá.
Por você, fique.
💛
