Na revolução do Tempo liberamos todos os nossos ancestrais

Ando compondo carinhos com todas as coisas que um dia me assustaram. Componho carinhos com o silêncio, com a solidão, com a solitude e com a unidade dentro de mim. Componho silêncios com o nada, com o vazio. Existe um colo que se dá até mesmo no íntimo escuro dos úteros nos quais somos nutridos e gerados. O escuro é silencioso e seguro. Pra aprender a ouvir buscamos os sons. Pra aprender a falar, calamos as certezas vaidosas de nossos egos. Compor carinhos até mesmo com o medo é uma forma de transpor o sol. Real mesmo é só a presença, seja da matéria ou da consciência. O medo foi, é e continuará sendo uma ilusão das mais sedutoras. Mas a gente já aprendeu a distinguir entre tantas matracas verborrágicas e seus fascismos velados, e a quietude da coragem de sentir. Sinto muito, sinto muito. Sempre sinto um tanto que não me cabe e transborda as vezes até em isolar-me pra não incomodar as muitas vezes que desejo que os outros sejam felizes. Sinto muito, mas nunca sentirei pena do sentir. Estalar de dedos pra acordar. Sol, água doce, água salgada, vento, abraço, bolo de fubá e as mãos apertadas bem perto do peito. Queria eu ter palavras pra dizer que na revolução do Tempo liberamos todos os nossos ancestrais.

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