O amor é coletivo

abri a porta dos meus olhos
sedentos
pra ver o mundo
cair e levantar-se em prédios
enfileirados por fumaças
e por pessoas amarradas
em suas poses
ou funções
todas elas
desabrilhantando a infinitude do ser
abri a porta dos meus olhos
sedentos
pra entender que todos os sorrisos escondidos das crianças famintas
ainda moram em mim
e se o amor é coletivo
só seremos felizes quando todos dançarem
qualquer música que lave em enxurrada
toda essa tomada pra si
e todo esse sofrimento
que nos torna rasos,
como poças
ou coragens silenciadas
há de haver um céu pra consolar essa desesperança
que julga a terra como sujeira
e que mata vagarosamente nossos vaga-lumes
e suas pequenas luzes,
essas que alimentam o amarelo dos ipês
dos abraços
e dos corações que ainda,
e tão mais ainda,
sonham
