Queria ser rasa

Faísca é pouco pra descrever como meus olhos cintilam ao ver qualquer nuance de beleza ou justiça. É como aquela foto do braço escorrendo sangue ao apertar uma rosa.

Mais fácil seria ser egoísta, assim não me afogaria em nenhum refúgio desse mundo hostil. Se os silêncios hostilizam a existência, os silenciamentos mais ainda.

Mais fácil seria viver calada e virar máquina. Mas a boca quer falar — nos espaços que me cabem — quer falar, em tom de calmaria, quer falar de poesia, quer dos olhos roubar algum marejar, quer da palavra ser filha.

Mais fácil seria ser rasa.

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