Amy Winehouse: precisamos falar sobre Bulimia

Agora em fevereiro o Netflix disponibilizou o documentário britânico “Amy” que conta a trágica história de Amy Winehouse. Quando soube que o Netflix iria liberar o documentário, me lembrei que precisava falar do que mais me chocou quando tive a oportunidade de vê-lo. E é por isso que estou escrevendo este texto.

Quando o documentário britânico “Amy” foi lançado em 2015, muito se falou sobre a tristeza que as pessoas sentiam quando viam. E é claro que seria triste e desolador. Uma cantora talentosíssima com uma voz poderosa foi embora muito cedo e o que ficou foi a sensação de que ela teria muito mais a oferecer. Só não sabíamos que assistir a trajetória de Amy seria mais desolador do que imaginávamos.

Enquanto Amy estava viva o que víamos era um ser humano sendo atacado por paparazzis. Por causa de suas polêmicas com drogas e bebidas, Amy teve sua vida escancarada por anos e o documentário mostra como esse ataque a privacidade da cantora era cruel e perverso. Ao ver as imagens, tive a impressão de que todas aquelas pessoas que riam da aparência da Amy, que riam das imagens nas quais ela estava aparentemente bêbada e drogada e que a seguiam por onde ela fosse, não passavam de Urubus a espera de um corpo prestes a morrer.

Mas o que mais me chocou foi a revelação de que Amy era bulímica. Sim, Amy Winehouse tinha um transtorno alimentar há anos. Quando “Amy” foi lançado no Brasil a escritora e ativista clara averbuck publicou um post contando o seu espanto ao saber que a cantora tinha o transtorno alimentar. Como sou fã da Amy também fiquei surpresa e procurei assistir logo o documentário.

O meu espanto não poderia ter sido maior, ao fim de “Amy” meu coração estava dilacerado, eu queria poder voltar ao tempo e fazer algo para ajudar aquela menina linda que foi morrendo aos poucos. Morreu cercada de gente oportunista, Urubus, que fingiam que não percebiam o que estava acontecendo.

Para quem não sabe, a Bulimia é um transtorno alimentar no qual a pessoa come compulsivamente e induz o vômito, colocando para fora tudo o que ingeriu. Imagine o estrago que isso pode causar quando esse ato é praticado por anos. Foi isso que aconteceu com Amy. No documentário vemos um trecho de filmagens familiares, no qual Amy aparece sentada em uma mesa cheia de comidas, dizendo que se sente como uma porca de gorda. Logo a seguir a mãe de Amy, Janis, fala que Amy tinha contado para ela sobre essa nova dieta que ela tinha descoberto. A dieta era comer tudo o que puder e vomitar em seguida. A mãe da cantora achou que era algo passageiro, que Amy iria esquecer.

Mas não foi o que aconteceu, em outros momentos do documentário vemos Amy comendo compulsivamente. Em um deles ela está gravando no estúdio e desaparece por volta de 45 minutos. Uma pessoa que também estava por lá afirma que Amy vomitou o banheiro todo após comer. Isso aconteceu quando ela já estava gravando o Black to Black, ou seja, anos depois da dieta nova que ela havia descoberto.

O ponto no qual quero chegar é a negligência das pessoas que estavam em volta dessa menina. Negligência em todos os aspectos, negligência ao não prestar atenção e não falar sobre uma doença e um comportamento estranho que TODOS estavam vendo, negligência ao não perceber uma pessoa definhando, negligência ao fingir que nada estava acontecendo. Negligência dos pais, dos amigos, dos empresários, do marido e dos namorados. E por fim, negligência da mídia que sempre vai achar que uma história sobre drogas e álcool é mais importante do que falar sobre transtorno alimentar, que com certeza iria levar para o lado do fato de que essas meninas que estão com essa doença são assim por pressão da sociedade que cultua a magreza como o corpo perfeito. Não é mais ou menos importante que drogas. Só é preciso ser dito que todas essas coisas são prejudiciais.

Mesmo depois do documentário levantar a bola para que seja falado sobre a Bulimia de Amy, são poucos os meios de comunicação que tocaram no assunto. O irmão dela, Alex, afirmou que Amy realmente morreu de Bulimia, o que demonstra, mais uma vez, que eles tinham conhecimento do problema. Mais negligência.

A maioria das pessoas ainda pensam que Amy era apenas uma drogada e alcoólatra que morreu de beber. Sim, eu sei que com certeza a bebida e a droga debilitaram a vida de Amy, mas imaginem o quanto a Bulimia enfraqueceu o organismo da cantora, o quanto ela estava fraca após anos dessas combinações. E o quanto ela sofreu com isso.

Vejam o documentário e percebam o quanto ela estava sozinha nesse mundo, como era frágil. Uma única amiga de infância que parecia realmente se preocupar com Amy ficava afastada, por motivos desconhecidos. Se espantem ao ver que o empresário e o pai de Amy deixavam ela subir aos palcos sem nenhuma condição de fazer shows. E ninguém falava nada. Aliás, falavam mal dela, a chingavam. Afinal, ela era apenas uma viciada. Como bem disse Leca Lichacovski neste post aqui mesmo no Medium, ninguém se importou com Amy Winehouse. Ninguém deu a mínima. Agora é tarde.

Se você gostou do meu texto clique no ❤ e deixe um comentário me dizendo o que achou. Eu vou adorar saber, sério!