Reencontro

Cruzo com medo a porta prometida

Coragem nenhuma o corpo coberto

É o desespero meu único afeto

Em de lágrimas jornada tingida

Orfeu e Eurídice no Inferno — Pieter Fries (1652)

Pelo Hades em terra, junto à fera

De meus horrores, minha decadência

Expressa nas rugas da ascendência

Que exclama a fúria que nela impera


Paisagens estranhas, obscura estrada

De inexistentes dias em que sou aparte

Eco insistente d’uma vida castrada


Sou chamada a assumir o estandarte

E como parte do rito de entrada

Sentar à mesa que eu não faço parte