Eu esqueci de fechar as janelas, e a chuva inundou o quarto.

Molhou os papéis e manchou as memórias. Infiltrou na madeira, empenou a porta.

E eu me afoguei no raso.

Não bastava escorrer pelo vidro. Ela precisava entrar.

Não nos cabia mais entre as cartas, e documentos, entre as fotos e os discos que você me deu.

Eu abri a janela. E a chuva inundou o quarto.

A cama é ninho. É ilha. Aconchego nos lençóis molhados.

O chão é frio. Amigo.

Seu sorriso emoldurado.

Acumulo coisas sem ver. Preencho cada canto.

Garrafas. E porta retratos. Flores mortas. E papéis de bala.

Agora escoa.

Mente limpa, suja de folhas. Enfim respiro fundo.

Não mais nublada.

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