dos millennials.

Sou de uma geração que nasceu com tudo feito, sem grandes conquistas no horizonte. Sou de uma geração que aprendeu a ler antes de ter computadores, mas que, sem grande ajudas, os dominou à primeira oportunidade. Sou de uma geração a quem foi prometido um futuro de prosperidade, ultrapassados que estavam os grandes desafios do pais e da europa. Sou de uma geração que passou anos a guardar uma taça de doces para saborear no momento certo e quando esse momento chegou tinham desaparecido os doces, a taça, a mesa e a casa. Sou de uma geração que passou a infância montada em vacas gordas e amadureceu a dar leite a vacas magras.

Já nos chamaram tantos nomes que é difícil recordá-los a todos. Tanto melhor. Sou de uma geração sem nome. Não estamos à rasca, muito menos somos a geração rasca por que nos apelidaram os que nos tiraram o tapete, assim mesmo. Somos antes a geração do desenrasca, a geração atrevida do “não sabe pergunta” e do “não encontra procura”.

Nós somos a geração dos videojogos com os joelhos esfolados. Nós somos o analógico e o digital numa só pessoa. O escudo e o euro, o walkman e as hashtags, o Dragon Ball e o Jimmy Fallon num abrir e fechar de olhos.

Sim, nós somos essa geração mista, a geração em que mesmo os que, por opção ou falta de oportunidade, não foram alem do ensino obrigatório têm à distância de um milissegundo toneladas de informação sobre tudo e todos. Nos somos uma geração destemida e temível. Não acreditamos em verdades absolutas. Olhamos para as juventudes partidárias e para os partidos com um pé atrás. Temos formação, informação e muitas dúvidas, não confiamos, ficamos presos na idade dos porquês. Nós comunicamos à velocidade da luz numa qualquer fibra óptica, mas ainda usamos o antigo acordo ortográfico. E está a chegar a nossa hora.

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