STT-Dez anos promovendo saúde e tecnologia

Nascida e criada em Rio do Oeste, no interior do Alto Vale do Itajaí em Santa Catarina, Nilzette França de 56 anos nunca havia realizado um exame dermatológico quando uma mancha incomum em seu nariz começou a aumentar muito de tamanho. Incomodada, procurou a Unidade Básica de seu município onde foi encaminhada para realizar atendimento por meio do Sistema de Telemedicina e Telessaúde (STT)na cidade vizinha em Rio do Sul, há 20 minutos dali. Além de descobrir que a mancha em seu nariz na verdade era um câncer em estado avançado, Nilzette operou e retirou o tumor em menos de um mês em Florianópolis. O caso demonstra a eficiência, agilidade e facilidade para a realização de exames a distância por meio do Sistema de Telemedicina.

História

Criado em 2005, através de uma parceria entre a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Secretaria do Estado, o Sistema de Telemedicina Catarinense (STT) foi um dos pioneiros no Brasil na realização de exames médicos a distância por meio do uso de sistemas On-line e aplicativos móveis.

Chamado inicialmente de RCTM (Rede Catarinense de Telemedicina), o sistema previa a integração de equipamentos como: tomografia computadorizada, ressonância magnética e Raio-X. Os aparelhos foram instalados nos hospitais públicos do Estado junto ao sistema de telediagnóstico em eletrocardiograma. Os laudos eram disponibilizados através da internet, reduzindo custos de deslocamento e impressão.

Em 2007, o Ministério da Saúde(MS) lançou o Programa Telessaúde Brasil em apoio à Atenção Básica de Saúde que foi implantado em nove estados, incluindo Santa Catarina. O projeto foi coordenado pela UFSC em parceria com o Hospital Universitário, a Secretaria de Estado da Saúde, a Escola de Saúde Pública do Estado e o Conselho de Secretários Municipais de Saúde (COSEMS). Inicialmente Telessaúde passou a oferecer serviços de Telemedicina Síncrona na forma da Segunda Opinião Formativa preconizada pelo MS, além de uma paleta de cursos em um Programa de Formação Continuada à Distância para a Estratégia de Saúde da Família.

Unificação

Visando a capacitação de profissionais e o auxílio no atendimento da Atenção Primária, o Sistema de Telessaúde foi integrado ao Sistema de Telemedicina (RCTM) em 2010, formando o Sistema de Telemedicina e Telessaúde Catarinense (STT/SC).

Além de promover o acesso facilitado a exames, o STT desenvolve tecnologias para usuários do sistema e hospitais. Prevê também capacitações nas Unidades Básicas de Saúde, além de web conferências e cursos de qualificação e aprimoramento para o público em geral.
Notícia publicada em 2010 pelo site Portal da Ilha

Teleconsultorias

Além das webconferências e minicursos para pacientes e profissionais, as teleconsultorias podem ser realizadas pelos agentes de saúde por meio do aplicativo “Teleconsultorias”, que possibilita a visualização do sistema em tablets e smartphones.

Exames

O armazenamento centralizado de exames médicos na web permite o acesso facilitado de pacientes, médicos e profissionais de saúde, em qualquer lugar sem a necessidade de impressão.

Além de sustentável, a tecnologia possibilita a ampliação de serviços da Atenção Básica de Saúde à grandes hospitais, Unidades Básicas de Saúde, presídios e penitenciárias.

Em Santa Catarina, de 2005 a 2015 foram armazenados e realizados mais de 4,5 milhões de exames médicos através do Sistema de Telemedicina.

Além dos exames dermatológicos e de eletrocardiograma são realizados e armazenados pelo sistema exames radiológicos, ultrassons, tomografias, endoscopias e ressonâncias magnéticas.

Dermatologia

Em Blumenau, cerca de 800 usuários que aguardavam atendimento dermatológico há mais de cinco meses, realizaram o exame médico por meio do Sistema de Telemedicina na cidade. Implantado em 2014 e funcionando desde fevereiro de 2015, as consultas reduziram em 69% a fila de espera, descentralizando os serviços e dando o encaminhamento rápido e correto aos pacientes.

Em 2014, cerca de 50% das lesões detectadas pelos usuários do STT obtiveram baixa classificação de risco, evitando o acúmulo de atendimentos desnecessários em outras Unidades de Saúde, assim como gastos com transportes e deslocamentos.

O atendimento de teledermatologia é realizado por meio da captura de imagens das manchas e lesões dos pacientes por agentes de saúde, seguindo um protocolo específico, com o uso de uma câmera fotográfica e um dermatoscópio (aparelho dermatológico).

Os exames médicos são enviados ao Portal On-line do STT onde as imagens recebem o laudo dado por um médico especialista que indica a conduta clínica e o encaminhamento que deve ser dado ao paciente.

Câmera e dermatoscópio. Imagem SES/SC
Desde 2008, mais 15 mil exames de Teledermatologia foram realizados gratuitamente em todo o Estado.

Eletrocardiograma

O município de Quilombo no Oeste Catarinense, com cerca de 10 mil habitantes, foi o primeiro a oferecer exames de eletrocardiograma no Estado. 
Em 10 anos foram realizados aproximadamente 7 mil atendimentos, ou seja, mais de 70% da população quilombense deixou de se deslocar por aproximadamente uma hora para realizar um exame em Chapecó, a 55 Km de distância. O secretário de saúde municipal Derlei Pelinson afirma que o Sistema proporciona além do acesso facilitado e de qualidade, a redução de gastos com o transporte de pacientes.

Os exames de eletrocardiograma são realizados por um agente de saúde seguindo um protocolo específico com o uso de um eletrocardiógrafo que é conectado ao corpo do paciente, registrando a variação dos potenciais elétricos gerados pela atividade cardíaca.

O aparelho é acompanhado por um software que realiza, monitora, registra e arquiva o exame no computador. Em seguida as imagens são enviadas pelo agente de saúde ao Portal STT, onde o exame recebe o laudo de um médico especialista.

Em 2015, a modalidade de eletrocardiograma ultrapassou a marca de 
1 milhão de exames realizados e armazenados pelo Sistema de Telemedicina.

Hospitais e Laboratório Central de Exames

O Sistema de Telemedicina atua na informatização das análises clínicas e exames médicos realizados nos hospitais regionais e no Laboratório Central de Exames. Os dados e resultados dos exames são armazenados pelo Sistema de Telemedicina, que protege as informações, agiliza o acesso dos profissionais de cada unidade, e agiliza a entrega dos resultados aos pacientes.

A soma do número de exames dos hospitais e Lacen representam aproximadamente 75% dos arquivos protegidos pelo STT. As principais modalidades são radiologia, tomografia computadorizada, ultrassonografia, endoscopia e análises clínicas.

Acessibilidade virtual aos usuários

A mobilidade e a integração com diversos sistemas são as características principais do STT, que busca facilitar o acesso de pacientes e o trabalho de profissionais através do uso de novas tecnologias.

O desenvolvimento de aplicativos para dispositivos móveis visa a aproximação do usuário ao sistema, que pode ser acessado de qualquer lugar via internet. Atualmente o Telemedicina Santa Catarina possui três aplicativos: Teleconsultorias, STT Meus Exames e STT Móvel Laudos, para tablets e smartphones.

STT Meus Exames

Exibe aos usuários, os exames médicos realizados pelos pacientes, desde o processamento até o laudo final. Conta também com um histórico de exames armazenados no sistema. O acesso é feito através do número de protocolo ou Código QR do exame realizado.

STT Móvel Laudos:

Permite o acesso de médicos especialistas aos exames médicos.

Além dos aplicativos para dispositivos móveis, o STT possui o Portal de Acesso aos exames médicos, manuais, webconferências e teleconsultorias. Através do Portal são enviados e armazenados os exames realizados nos pontos de atendimento.

Tecnologia Pública

Todos os dados e arquivos de imagens armazenados no Sistema de Telemedicina e Telessaúde são protegidos pelo Centro de Informática e Automação do Estado de Santa Catarina (Ciasc).

Além do usuário e senha, o acesso ao sistema é limitado por filtros específicos que separam apenas as informações necessárias para cada perfil. Com mais de 4.5 milhões de arquivos guardados na rede do Hospital Universitário desde 2005, o STT migrou para o Ciasc em 2014. Desde então, a parceria estabelecida pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) vem proporcionando maior estrutura e segurança.

O provedor estadual além de oferecer maior espaço, realiza o Backup dos dados, laudos e exames armazenados pelo STT.

Realização
Conteúdo e edição:
Miriam Amorim 
Vídeos:
Thaine Teixeira e Daniel Giovanaz