Metodologia original auxilia agricultura familiar

A Associação de Orientação as Cooperativas do Nordeste (Assocene) finalizou o projeto intitulado “Fortalecimento e consolidação de Empreendimentos Econômicos Solidários organizados ou em processo de organização na forma de Redes de Cooperação” que foi executado entre 2013 a 2017 nos estados de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.

O projeto que teve parceria com a Secretaria Nacional da Economia Solidária (SENAES), do governo federal teve um importante objetivo de fortalecer a organização dos empreendimentos da agricultura familiar em redes de cooperação solidária em territórios rurais do Nordeste, tendo como foco o fortalecimento da gestão social e da rentabilidade econômica dos empreendimentos, bem como a sua inserção nas cadeias produtivas territoriais.

Isso significou juntar as associações e cooperativas para criarem nos territórios redes de cooperação que são organizações mais amplas e, a partir dessas redes, focar nas cadeias produtivas das principais atividades econômicas desenvolvidas em cada território, tais como fruticultura, pesca ou agroecologia.

Feira Agroecológica da COOPEFAT

Para isso, foi preciso um processo de assessoramento e a Assocene cumpriu com esse papel e o desenvolveu em três eixos: instalação de bases territoriais de assessoria técnica continuada; elaboração de metodologias participativas especificas para a construção dos instrumentos do planejamento das redes e articulação dos empreendimentos para elaboração participativa de estudos propositivos de sustentabilidade econômica e planos de reordenamento das cadeias produtivas das redes de cooperação.

E como instrumento para trabalhar a situação de cada rede dessa André Vasconcellos, membro da Assocene que acompanhou a execução do projeto, contribuiu na formulação de uma metodologia para trabalhar instrumentos de planejamento que se chama Plano de Cadeia Produtiva Territorial das Redes de Cooperação que segundo ele, a partir desse instrumento era feito todo um levantamento e diagnóstico sobre a situação da produção, armazenamento, distribuição, comercialização e consumo dos produtos.

A partir de então era trabalhada a proposição o que é que é necessário intervir naquela cadeia produtiva organizada por aqueles agricultores para que eles consigam ter mais autonomia e consigam ter mais resultados dos fluxos de recursos que aquela cadeia gera? isso porque afirma André “muitas vezes esse agricultor já perde depois que ele produz porque como ele não tem estrutura pra financiamento, pra distribuição e pra comercialização, vem o atravessador, compra pelo preço que quer e vende lá na frente por outro preço. Então o agricultor geralmente perde nesse fluxo da cadeia produtiva porque ele não tem estrutura pra chegar até o processo de comercialização.”

Por isso, esse estudo tinha o objetivo de identificar esse processo, ver quais eram as principais dificuldades e o que era necessário de investimentos para que fosse criada uma nova dinâmica econômica com foco em benefícios para o agricultor.

Encontro grupos de mulheres para elaboração plano de sustentabilidade Amaraji/PE

Também foi desenvolvido outro instrumento chamado Plano de Sustentabilidade de Empreendimento da Economia Solidária, focado em grupos de agricultores organizados em associações, principalmente, e que necessariamente não faziam parte de nenhuma rede ou de nenhuma cadeia produtiva mas que trabalhavam de forma bastante diversificada. Segundo André “a gente fazia também um tipo de diagnóstico focado muito na situação de produção deles e a partir daí a gente estabelecia quais os investimentos necessários, não só os investimentos da parte de benfeitoria e etc, mas também na parte de assessoramento técnico. O que era necessário para aquele agricultor, aquela agricultora e aquele conjunto de agricultores conseguissem superar aquela dificuldade no ato de produzir, beneficiar e comercializar também”, para ele a diferença de um plano para outro está no fato de um focar apenas na associação, ou seja, no pequeno grupo de associação dos agricultores e agricultoras e o outro focar numa rede.

Um resultado importante dos serviços de assessoramento pode ser verificado no estabelecimento do processo de apoio técnico continuado. Sua importância está na proposição de um diálogo estruturado com os grupos de empreendimentos que são representativos nos territórios, com o propósito de entender a diversidade de estágios de desenvolvimento que se encontram e identificar as condições necessárias para sua sustentabilidade.

O efeito concreto da metodologia se mostrou nos resultados do projeto com a conformação de 30 Planos de Cadeias Produtivas Territoriais de Redes de Cooperação e 83 Planos de Sustentabilidade de Empreendimento da Economia Solidária. Além disso, o sucesso do uso da metodologia se dá pelo apoio permanente e continuado de diálogo e apoio técnico, respeitando a diversidade territorial.

Essa importante metodologia não foi somente aplicada neste projeto da Assocene, apesar de ter sido formulado pela entidade, ele atualmente foi indicada pela SENAES como referencial para utilização em outras experiências no Brasil inteiro.

Mulheres Pescadoras — Rio Formoso / Associação AMIBREJO
Visitas de campo — Diversificação da Produção / Diagnóstico Participativo — Comunidade Quilombola Engenho Siqueira