A paixão pelo imprevisível

Assuntos pendentes #03

Você já parou pra pensar o porquê, dentre tantos esportes, o futebol é o mais popular do mundo? Por quê não é o tênis, o vôlei ou a peteca? O que diferencia este esporte com bola dos demais? Mais ainda, dentre as diversas modalidades de futebol, porque uma se destaca mais do que as outras?

Embora, na prática, não sejamos mais o país do futebol (quem duvidar, posso dar 7 motivos…), o esporte está enraizado na cultura popular do país. Das ruas às escolas, das traves de alumínio às de chinelo, ele está presente. Sua transmissão, em horário nobre, é um dos alicerces que ainda sustenta a tv aberta. Mas isso ainda não explica totalmente as perguntas. São apenas consequências do apelo que o futebol tem.

É claro que, em relação a outras modalidades, cujo custo de equipamentos e local apropriado é mais alto ou difícil, aqueles que necessitam de uma bola e de alguns outros improvisos simples são mais populares. Mas, se fosse apenas por isso, poderia ser o bocha. E não é.

O grande segredo, então, talvez esteja na probabilidade. Ou melhor, na improbabilidade. Enquanto em outros esportes são feitos dezenas ou centenas de pontos, no futebol apenas uma ação é capaz de gerar mudança de placar: o gol. Gol este que também existe no handebol, no futsal e no hóquei. Mas nunca tão improvável quanto no futebol. Do goleiro até o gândula, qualquer um pode ser herói ou vilão. E quando essa imprevisibilidade supera a lógica, a tática ou a força do melhor, é aí que se define o grande elemento da paixão do futebol. E o torna esse esporte tão popular.

De maneira única, abre-se um espaço onde o mais fraco pode ganhar do mais forte, inclusive nas estatíticas, de maneira em que se distorça e debata a noção de ‘melhor’ ou ‘pior’. No mítico popular, então, essa possibilidade se transforma em esperança, e então em paixão, que vende camisas e acaba por lotar estádios mesmo em epóca de crise. E claro, na oportunidade de tripudiar sobre torcedores rivais e manter vivas as amizades e conversas casuais entre amigos. É o futebol inserido como agregador social, e tão explorado nas mesas redondas televisivas.

Há quem não entenda o furor que isto causa, há quem não entenda como alguém pode torcer por um time cujos jogadores sempre estão mudando e que os torcedores não tem nenhum tipo de vínculo pessoal. Há também quem veja a política de pão e circo. Hão de ser aqueles que não fazem idéia do que seja um impedimento. Por isso, talvez, estão impedidos de sentir a paixão que causa o imprevisível do futebol.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Elder Yudi Nakashima’s story.