Esta semana fui ao supermercado com meus dois filhos pequenos. Daniel, 6 anos e Gabriel, 3 anos. Para quem tem filhos nessa idade, sabe que ir com eles ao supermercado pode ser uma aventura e tanto. Meu maior desafio é que eles resolvem explorar os espaços sozinhos e meus olhos aflitos seguem a procura dos dois enquanto vou agilizando para pegar tudo o mais rápido possível e ir embora.
 Fomos caminhando e, no meio do trajeto, encontramos uma banquinha vendendo milho cozido. O aroma foi tomando conta e logo nos interessamos pelo possível lanche. Fizemos um combinado: se os dois se comportassem no supermercado, na volta compraria milho para cada um.

A vontade prevaleceu e foi uma tarefa tranquila de ser cumprida. De volta à barraquinha, cada um com um potinho de milho nas mãos, fomos procurar o banco mais próximo para sentar. Na rua de entrada do condomínio tem um banco. Desses bancos de praça, feito de cimento. Sentamos por ali, os três, em silêncio. Eles porque estavam com a boca ocupada com o milho e eu porque estava curtindo o momento.

Foi aí que escutei um suspiro do Daniel: “Isso que é vida boa! ” Assim, entre um milho e outro, meu filho mais velho traduziu seu sentimento. Isso me preencheu o peito. De verdade, não é preciso muito para se ter uma vida boa. Naquele instante, precisei de 10 reais, um banco de praça e a presença de uma mãe com seus filhos. Nada de correrias, nem preocupação com o jantar. Estávamos curtindo o cair da noite, um milho gostoso e a nossa presença.

Ficamos mais um tempo ali no silêncio, depois compartilhamos os potinhos de milho, eu comendo do milho do Daniel, o Gabriel cedendo um pouquinho de seu milho para o irmão. Algumas risadas com aquelas colheres que se cruzavam e uma intimidade com o nosso momento e as nossas brincadeiras.

Seguimos os três, felizes para casa. É verdade que a janta saiu bem depois do horário habitual. Que tomaram banho quando já deveriam estar dormindo, mas estávamos felizes com nosso compromisso realizado. A vida naquele momento era boa e isso valia muito para nós.

Um breve instante para nos ensinar o verdadeiro valor das coisas.

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