Intolerância Religiosa

O Brasil, tão rico em diversidade cultural, é composto por influências e tradições de diversas culturas, tanto devido à nossa colonização, como pela disseminação das crenças de pessoas que se estabeleceram em nosso país a partir da imigração ou mesmo escravidão (infelizmente isso fez parte da nossa história), por exemplo. Essa pluralidade de religiões e crenças tem causado conflitos que devem ser expostos e discutidos.

O Dia de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado no dia 21 de Janeiro, foi instituído em 2007 com intuito de assegurar a liberdade e principalmente a segurança para cultos, crenças e tradições espirituais a todas às etnias e culturas.

Responsável por cerca de 80% dos conflitos mundiais, a intolerância religiosa, assim como outras opressões, está enraizada em nosso cotidiano desde muito cedo de forma extremamente negativa. No Brasil, vem ganhando uma visibilidade que funciona como alerta, com denúncias cada vez mais frequentes sobre esta prática desrespeitosa. A falta de informação sobre as religiões de matrizes afro, pagãs entre outras tradições e doutrinas espirituais marginalizadas, juntamente com a falta de empatia ao próximo, afeta milhares de pessoas praticantes destas crenças todos os dias, com ataques verbais e em casos extremos, até ataques físicos. Mais que um problema motivado por ignorância, também pode ser denominado como estrutural e cultural, não sendo apenas preconceito mas uma opressão fortalecida por instituições de poder e do modelo patriarcal que infelizmente dissemina e constrói na sociedade a ideia de que determinado grupo ou pessoa devem ser atacados por uma maioria por diferente do padrão imposto.

A religião predominante no Brasil — ainda também a mais poderosa — é a cristã, pela qual temos muito respeito e consideração. O problema é que nem todos os seguidores de Jesus Cristo praticam de fato seus ensinamentos, onde a base da religião é a compaixão, o amor e o respeito ao próximo e alguns até mesmo costumam utilizar a sua crença particular como justificativa para ofender outra pessoa que não tenha uma crença similar.

As consequências desta intolerância e ignorância fazem com que praticantes de outras religiões que não envolvam o cristianismo, tenham sempre que esconder parte do que são por conta de uma reação em massa que oprime e deturpa conceitos e princípios que realmente movem a sua fé. O medo ao sair de casa trajando as roupas apropriadas para seu ritual espiritual, ou de simplesmente demonstrar sua fé através de acessórios, imagens ou palavras ditas numa conversa são provas do quanto isto é naturalizado e prejudicial, além dos comentários ouvidos por muitos de nós até mesmo dentro de nossas casas, como a associação de roupas brancas a “parecer uma macumbeira”, a expressão “chuta que é macumba” utilizada para sugerir como devemos lidar com algo ruim (as religiões de matriz afro mais comuns no Brasil são a Umbanda e o Candomblé, e macumba é um instrumento musical utilizado em rituais), “queimem as bruxas” para definir como um grupo contrário ao senso comum deve ser tratado, “só existe um Deus” supondo que apenas a sua crença pode ser considerada verdadeira e correta, excluindo as demais, “vá procurar Deus e pare de adorar o diabo!”, dando uma conotação negativa a religião alheia, sem nem ao mesmo ter o mínimo conhecimento da mesma. Algumas vertentes de religiões cristãs, apesar de serem mais aceitas, também sofrem com este tipo de preconceito, onde podemos observar um enorme questionamento quando uma mulher não usa calças ou não corta os cabelos, ou denominar alguém que deseja fazer um discurso sobre sua crença como Testemunha de Jeová, pelo estereótipo popular criado sobre esta religião e seus praticantes, o que nem sempre é verdade.

As crenças e religiões são práticas de livre escolha. Ninguém deve ser obrigado a ter a crença do outro. A conexão espiritual de cada um deve ser individual, e cada um escolhe a maneira mais confortável de seguir ou não alguma doutrina. E partindo desse princípio, o respeito à escolha alheia é obrigatório. Afinal, nunca podemos passar por cima de um indivíduo e muito menos minimizá-lo por não concordarmos com suas crenças. Não devemos invadir o espaço de alguém, tampouco ferir os direitos de alguém se expressar, e nem confundir conselhos com imposições. A crença funciona como um caminho para transcender a existência para diversas pessoas, enriquecendo suas mentes. Que possamos utilizar deste pensamento para engrandecer nossas atitudes perante o próximo e para disseminar o amor e energia positiva que cada crença carrega em si e não como justificativa para disseminar discursos de ódio que oprimem e matam pessoas todos os dias. O amor e caridade presente em cada ato move mundos e deveria ser a principal ferramenta de mudança, principalmente dentro das religiões.

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