Sextas de Vênus: Malala Yousafzai

Chegou a hora de mais uma Sexta de Vênus, com textos feitos especialmente durante o Mês das Mulheres para que você possa conhecer a trajetória de companheiras de luta e mulheres inspiradoras. A escolhida dessa semana é a ativista paquistanesa Malala Yousafzai, conhecida por ser a mais nova candidata a ganhar um Nobel da Paz, tendo como motivação a busca pelos direitos das mulheres.

Malala é a menina paquistanesa que desafiou os radicais islâmicos do Talibã por querer estudar, quase pagando com a vida por isso, e que se tornou símbolo da luta pela liberdade e pelos direitos das mulheres. Ao sofrer uma tentativa de assassinato aos 15 anos, por militantes deste grupo de radicais islâmicos, todos acreditaram que ela não sobreviveria, já que foi atacada brutalmente com um tiro em sua cabeça. Sua recuperação inesperada deu espaço para que sua trajetória fosse compartilhada em seu livro “Eu sou Malala”, que nos fala sobre os impactos do terrorismo, a luta pelo direito à educação feminina e também os obstáculos que dificultam a valorização, respeito e empoderamento da mulher em uma sociedade que valoriza e privilegia homens.

Atualmente, cada vez mais meninas vão à escola no Paquistão, prática que antes feita vinha acompanhada de ameaça por parte dos fundamentalistas islâmicos. Esse fato nos abre os olhos para os nossos próprios privilégios, ao fazermos parte de uma cultura ocidental. A coragem e o grande primeiro passo de Malala garantem que a realidade de garotas do Oriente Médio seja mudada aos poucos, para que sua dignidade e direitos tornem-se uma prioridade tão grande quanto qualquer outra e que o acesso a educação por todos fortaleça a intelectualidade e capacidade das crianças, contribuindo para a formação de uma sociedade muito mais igualitária. 
Malala foi a primeira a levantar sua voz contra o que lhe foi imposto e inspira mais garotas a darem as mãos para impor-se em relação ao que as fere. Para que façam barulho perante a mídia e o mundo, e descubram, muitas delas pela primeira vez na vida, que não estão sozinhas nesta luta e que existem alternativas e realidades além da conhecida por elas. Em uma cultura muito divergente da nossa, onde ainda pode ser considerado uma afronta e um absurdo o fato das mulheres obterem conhecimento, se tornando plenamente capazes e independentes, ela representa uma enorme revolução.

Malala, de vida simples sem luxos ou privilégios, tinha como maior objetivo estudar para ter as mesmas oportunidades que seu irmão e outros homens, garantindo por conta própria tudo aquilo que a sociedade negava a lhe oferecer.

“Para meus irmãos, era fácil pensar sobre o futuro. Eles podem ser o que quiserem. Mas para mim era mais difícil, e por isso queria me tornar educada e ganhar força com meu conhecimento.”

O livro “Eu Sou Malala” conta a história de sua infância e primeiros anos de aprendizado escolar, as dificuldades em viver num local marcado por desigualdades sociais e dominado pelo terrorismo islâmico, além da determinação de sua família em não intimidar-se por conta deste terrorismo.

A sua voz contra o Talibã foi dada a partir de um blog (“Diário de uma Estudante Paquistanesa”) onde, após ter continuado a estudar na escola em que seu pai era dono mesmo após a ordem do líder talibã de interromper as aulas para as garotas, contava a situação das estudantes no país e o total descaso que as atingiam, simplesmente por terem nascido mulheres. Entre os fatos e denúncias relatadas por Malala em seu blog, destaca-se a explosão de escolas, juntamente com o fechamento de diversas outras que também ministravam aulas às garotas.

Após o atentado sofrido por Malala em 2012, mudou-se com sua família para a Inglaterra, onde realizou o tratamento para se recuperar do tiro em sua cabeça e futuramente passou a morar e estudar. Seu sonho é que o povo do Paquistão seja livre e que todas as meninas possam ir à escola. Em seu discurso emocionante na tribuna da ONU, em 2013, Malala afirmou que que uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo e que a educação é a única solução que temos.

Aos dezesseis anos, Malala se tornou um símbolo global de protesto pacífico, ao utilizar apenas sua voz como arma.

Malala é a menina que levantou a voz pelo direito de ser tratada com dignidade, pelo direito à igualdade de oportunidades e de educação de todas as crianças, pelo direito de viver em paz.

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Foto: Southbank Centre — Flickr, com modificações. Original disponível em: bit.ly/MalalaYousafzaiSouthbankCentre