É real (?)

Oficialmente, estou matriculada no curso de medicina da PUC-Campinas. Praticamente preciso ficar repetindo isso ao longo do dia pra ver se acredito que tudo isso é real, que saí do cursinho e que agora tenho novos desafios pela frente.

Ontem fui ao cursinho visitar um amigo e, quando entrei lá, ao ver todos os funcionários tão conhecidos, entrar na sala dos professores, visitar a biblioteca, me senti em casa. Obviamente, eu queria sair do cursinho. Obviamente, eu não aguentava mais. O que me faz mais chorosa e saudosa, nessa situação toda, não é o cursinho em si. Disso eu já estava de saco cheio. São as pessoas. São as conversas e o fato de que, por ter ficado três anos em um lugar que passei a ver mais do que meus pais, criei laços e uma zona de conforto dos quais será e está sendo difícil me desligar.

As amizades vão continuar, eu sei, mas não mais vê-los todos os dias, todas as semanas, dói. É estranho, você quer desesperadamente sair daquele lugar, mas, quando sai, morre de saudades daquilo tudo, e passa a escrever um texto com lágrimas de saudades no rosto.

Assim, preciso deixar registrado que essa aprovação não é só minha. Aos meus pais, um obrigada por, mesmo não entendendo, darem o suporte sempre para que eu siga meu sonho. Aos meus amigos — que não vou citar nomes, porque eu SEMPRE esqueço de alguém — um obrigada por entenderem (ou não) que nem sempre eu estou disponível pra sair. Aos meus professores, não tenho palavras pra agradecer tudo o que fizeram por mim, todas as vezes que me atenderam quando eu tinha dúvidas — muitas vezes em horários de almoço ou ficando até mais tarde na escola.

Alexandre, o trouxa mais legal da história. Quinta à tarde nunca mais será a mesma. Elvira, uma das pessoas mais doces que eu conheci naquela escola. Giba e Cris, o que seria de mim na física sem vocês? Todo o apoio que me deram fez com que eu amasse essa matéria de tal maneira que, um dia, ainda vou usá-la nas minhas pesquisas na medicina. Michel, vou sentir saudades das nossas conversas filosóficas, dos debates e do quanto eu aprendi sobre o ser humano com você. Chico, você merecia um texto só seu . Meus olhos enchem d’água só de lembrar que minhas quintas-feiras não terão mais seus abraços, nem o “queridos, muitos bons dias”. Você virou meu professor em 2014, mas em 2015 se tornou muito mais do que isso, ganhei um irmão do coração que, quando eu estava quebrando, juntou meus cacos e colou de uma forma que jamais vou esquecer. Você me ensinou a sempre sorrir.

Todos foram importantes, mas alguns não só merecem, como precisam ser citados, registrados, nem que seja em um lugar que provavelmente só eu vou ler.

Agora, é uma fase nova da qual, pasmem, estou morrendo de medo. Mas já que cheguei até aqui, vou com medo mesmo. Criei asas, preciso voar. E vou, mas volto sempre.