Preciso falar sobre Meryl Streep

Maryl Streep, mais conhecida por mim como Miranda, de O Diabo Veste Prada, tem se envolvido em várias situações polêmicas, ultimamente. Duas de suas frases mais recentes foram na divulgação de seu papel no filme As Sufragistas, o qual não vi ainda: primeiro, Maryl diz que não é feminista (???!!!!) e sim, humanista. Depois, na divulgação do filme, ela usa uma camiseta com os dizeres “Prefiro ser uma rebelde a ser uma escrava.” Agora, na premiação do Festival Internacional de Cinema de Berlim, ela afirma sermos “todos africanos”.

Vamos primeiro comentar que Meryl realmente não sabe o que é ser feminista. De novo, como já disse aqui, ser feminista não é ser contra os homens, é lutar por igualdade de direitos entre homens e mulheres. Depois, a frase “prefiro ser uma rebelde a ser uma escrava” seria linda, se não tivesse sido usada no começo do século XX, por Emmeline Pankhurst (a personagem de Meryl no filme) e, a princípio nos leva a pensar o óbvio: ninguém quer ser escravo. Mas, se pensarmos um pouco mais, como ficavam as mulheres que ainda eram escravas no começo do século XX?

Todo esse textão introdutório foi somente pra dizer que já cansei de discutir com amigos e conhecidos sobre como o racismo — bem como o machismo, diga-se de passagem — está encrustado em nossa sociedade culturalmente, e nós nem percebemos, em como detalhes, que muitas vezes parecem insignificantes, como esse são propagados sociedade afora e são passados de geração a geração e que, se assim for, não acabaremos com o racismo nunca.

Todo esse textão foi pra dizer que, sim, Maryl pisou na bola, e pisou feio. Falar que todos viemos da África é sempre fácil quando se é branca, suas oportunidades não foram tiradas, você nunca sofreu nenhum tipo de opressão por conta da sua cor ou quando você está na camada alta da sociedade, quando talvez você nunca tenha ido à África. Assim sempre é fácil.

Falar que todos viemos da África, nesse caso, é a mesma coisa que dizer que não há racismo. É a mesma coisa que fechar os olhos para uma situação evidente, o mesmo que dizer que quem luta contra isso é extremista ou exagerado.

Não. Não podemos. Não sejamos esse tipo de pessoa, não sejamos Meryl Streep. O pior cego é aquele que não quer enxergar, sempre.