Governo economiza criando dificuldades para os aposentados

Desde maio de 2015, o funcionalismo público federal não recebe mais seu contracheque via correio em sua casa. Talvez seja a única classe trabalhadora que não tem mais seu comprovante de pagamento impresso. A medida, imposta sem debates e com prazo de execução apertado, segundo o Governo vai possibilitar a economia de mais de R$ 40 milhões por ano aos cofres públicos.

Quem quiser ter seu contracheque impresso, a partir de agora, somente vai poder tê-lo acessando a internet e o imprimindo numa impressora. Os servidores da ativa podem fazer isso no seu trabalho, ou em casa. Quase a totalidade tem familiaridade com a internet e para estes o impacto foi praticamente insignificante. O estrago maior foi na vida dos aposentados. A maioria, quando se aposentou ainda trabalhava com a máquina de datilografia e os aposentados mais recentes pegaram a época da transição nas repartições públicas do analógico para o digital. Ou seja, quase nada sabem desse mundo de e-mails, redes sociais, processadores de texto, etc. Alguns conseguem socorro com filhos ou netos. Outros, uma minoria aguerrida, está se esforçando para aprender e já possui alguma autonomia. Porém a grande maioria não tem nenhum conhecimento de informática e não tem para quem pedir ajuda correndo o risco de ter sua privacidade financeira invadida ao procurar lans e desconhecidos para ter acesso ao documento. Nos balcões de RH dos Ministérios e autarquias, os aposentados são tratados com frieza e distância. Pouca coisa é explicado e os idosos saem dali mais desorientados do que quando entraram.

A falta de sensibilidade dos autores desta ideia chegou ao limite da insensatez. Certamente desconheciam a realidade do seu público, o que é pecado grave em qualquer corporação. Não ofereceram alternativa alguma para os milhares de aposentados que não tem conhecimento em informática. Por que não criaram cursos? Por que não abriram linhas de financiamento especial para os que gostariam de adquirir notebooks ou tablets? Por que não manteram a impressão nos moldes atuais para pelo menos os mais idosos?

Essa foi mais uma medida da pauta fria do Executivo que despreza a principal engrenagem de qualquer corporação — as pessoas. Contudo, entidades como a AGASAI, estão criando cursos grátis de informática básica e entrando com ações coletivas para manter a impressão para pelo menos os aposentados do seu quadro social. Estão fazendo o que o Governo deveria ter ponderado antes de ter decretado a medida.

Entretanto, o Governo ainda pode melhorar sua imagem com parte de seus funcionários — os aposentados, caso tome algumas medidas como:

a. Dar a opção ao servidor aposentado se quer ou não continuar recebendo o contracheque impresso;

b. Criar cursos gratuitos de informática básica para aposentados, e;

c. Criar carteira especial de financiamento para compra de equipamentos de informática (computadores, tablets, impressoras e note books).

Certamente o Governo não vai anular o decreto, porém poderia flexibilizá-lo colocando as medidas acima em prática para minimizar todos os efeitos negativos que ocorreram com sua implantação abrupta e sem qualquer debate.

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