O jornalista do impresso tem lugar na web?

Para muitos que pretendem, ou já se preparam para o ramo jornalístico existe o questionamento se o jornalismo impresso irá acabar. Para além desta dúvida, existe também a pergunta se há lugar na web para o jornalista que trabalha no jornal impresso, acostumado com seus meios de trabalhos, se habituando com toda uma infraestrutura de multimídia. Para sabermos sobre esse assunto a equipe A Teia conversou com a jornalista e editora Carolina Braga que decidiu sair de seu emprego no Estado de Minas para trabalhar de maneira autônoma em seu Blog Culturadoria.

A teia: O que te levou a largar o trabalho no jornalismo impresso para se doar ao seu Blog?

Carolina Braga: Vários fatores me levaram a tomar tal decisão, o primeiro deles foi que percebi que o retorno de fontes e públicos que saia do jornal impresso era muito menor do que o que eu via circular nas redes sociais. Além disso, acredito que o jornal impresso não conseguiu se reinventar dentro da dinâmica de formação contemporânea. O jornal impresso está diminuindo de tamanho, os cadernos estão menores e assim outros projetos chamavam minha atenção e percebi que através da web eu poderia fazer mais coisas com tanta informação.

A teia: Apesar de você ter tido a opção de migrar para a web, conhece amigos ou colegas de trabalho que perderam seus empregos em jornais impressos devido ao crescimento da web?

Carolina Braga: Sim mas, não devido ao crescimento da web. O que acontece é que o modelo do jornal impresso não conseguiu se adaptar as mudanças da internet, então a “conta não fecha”, se esta conta não fecha cortam-se vagas, o tamanho do jornal diminui. O caderno cultural hoje do Estado De Minas possui 6 páginas, que é relativamente pouco devido a grande programação cultural da cidade que em contrapartida cresce. Então não é que não há necessidade desses profissionais no jornal impresso, existe necessidade mas, não há como pagar por eles.

A teia: Sobre as dificuldades da migração para a web, poderia nos dizer um pouco?

Carolina Braga: O principal problema de quando se migra para a web de maneira independente é você saber como irá pagar. Quando se faz jornalismo, você não aceita verba para fazer propaganda e vender sua credibilidade como outros blogs que se mantém com comerciais, etc. Por isso, você pode enquanto está na web fazer outras coisas. Atualmente dou aula, palestras, ou seja, diversas outras coisas dentro da sua área de trabalho que te ajudam a manter seu negócio na web, até que consiga mantê-lo por si só.

A teia: No momento então você reconhece que o jornalismo web está mais em alta do que o impresso? Acredita que o impresso pode acabar?

Carolina Braga: Claro, o jornalismo web está em alta mas, o desafio dele é conseguir fechar sua própria conta, se manter por conta própria. Quanto ao jornalismo impresso acabar, isso tem muita relação com o hábito de leitura, jovens em sua maioria não leem jornal de papel, a sociedade então consome informação de uma nova maneira. Se o jornalismo impresso não encontrar um meio de se transformar junto com esses novos meios de consumo de conteúdo acredito que ele pode sim acabar em pouco tempo. A Web ainda não investe muito em matérias aprofundadas, o jornal impresso pode se manter aprofundando nisso.

A teia: Você acredita então que o jornalista do jornal impresso tem sim um lugar no mercado da Web caso deseje ou tenha necessidade de migrar pra ela?

Carolina Braga: Sim, o meu blog tem 15 dias que está no ar, a quantidade de acessos e curtidas nas matérias mesmo que ainda não seja algo grande, vem crescendo muito sem que eu faça muito além de publicar a matéria e compartilhar nas redes sociais. Mas, a internet não tem receita, não existe uma lógica de como cada jornalista vai se estruturar nela e conseguir ganhar dinheiro. Cada um terá que estudar seu projeto. Meu blog por exemplo, não acredito que me manterei com ele através de publicidade mas, alguns outros sim, podem usar disso. É muito importante saber sobre empreendedorismo, a minha geração não teve empreendedorismo na faculdade e isso dificulta quando pretendem ter algo independente. Mas, estudando seu projeto todos podem ter e manter seu espaço na web.

Carolina Braga tem 38 anos é formada em jornalismo pela UNI-BH, tem pós graduação, mestrado e doutorado em critica de música pop e cinema em parceira com a UFMG e atualmente é responsável pelo site culturadoria.com.br