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II

Sexta-feira. Ainda faltavam 17 minutos para o fim do expediente. Eu estava tentando lembrar quando fora a última vez que eu estive tão ansioso como estava naquele momento. Eu não consegui lembrar. Abri o Tinder mais uma vez. Olhei as fotos dele mais uma vez. Reli nossas últimas conversas mais uma vez. Pensei em mandar alguma mensagem, mas desisti. Não queria parecer chato. 14 minutos.

Fechei o aplicativo. Voltei minha atenção para a tela do computador e atualizei a caixa de entrada. Fiquei feliz por encontrar dois novos e-mails e aproveitei para respondê-los. 6 minutos. Fechei as páginas que estavam abertas e desliguei o computador. Aguardei o relógio marcar 18h, juntei minhas coisas e saí em direção ao elevador torcendo para não pegar muito trânsito na volta para casa.

Cheguei no horário de sempre. Joguei minhas coisas no sofá e fui me arrumar. Aparei a barba, tomei banho, arrumei o cabelo, que havia cortado no início da semana. Conferi a roupa que já havia separado pela manhã. Jeans preto, camiseta básica e uma bomber preta. Fui até o espelho. Tentei não pensar demais. Voltei ao banheiro e passei um perfume. Ouvi meu celular vibrando no aparador da sala.

Era minha mãe. Como de costume, queria saber se estava tudo bem. Como sempre, respondi que sim, avisei que tinha um compromisso e que ligava para ela pela manhã. “Juízo”, respondeu ela. “Sempre”, finalizei. Nesse mesmo instante, o celular vibrou novamente. Era Gabriel:

“oiê. tudo bem? estou quase saindo de casa. e você?”
“oioi. eu também. até já :)”

Voltei até o espelho e ajeitei a jaqueta. Carteira, celular, chaves. Ele tinha feito uma reserva em um bistrô que ficava perto de casa. Eu estava um pouco adiantado e por isso fui andando. No caminho, tentei lembrar a última vez que havia saído para jantar com um boy. Não consegui recordar. Mas lembrei do último boy que conheci na balada e que me chamou para ir ao cinema. Foi péssimo!

Virei a esquina e consegui ver ele sentado em uma mesa próximo a um grande vidro que dava vista para a rua. O ambiente era pequeno e bastante aconchegante. Apesar de ser praticamente do lado da minha casa, nunca tinha vindo. Não haviam muitas pessoas, mas ainda era cedo. Nossos olhos se encontraram. Ele levantou e nos cumprimentamos. “Já pedi um drink”, disse ele enquanto abria um lindo sorriso.

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