Quase trinta

Quando Sandy canta “Quase 30” e diz que tem “sonhos de adolescentes, mas as costas doem” eu gostaria que a simplicidade da música fosse a narração dos dilemas da idade, mas não é – ao menos não no meu caso. Ainda tenho 28 anos, porém as (o)pressões sociais já estão me desorientando a ponto de me fazer voltar as sessões de análise.

Eu sempre achei que a vida é muito curta para ser resumida em: nascer, trabalhar, financiar casa e carro, fazer um(s) filho(s) e morrer pagando boletos dos financiamentos. Hoje já venho pensando diferente. Continuo com a ideia de não ter filhos, mas tudo o que eu preciso é morar sozinho. É algo que mais desejo neste momento. Os boletos serão consequência – com ou sem casa própria.

Lembro que na chegada dos 20 as pressões só eram as tias do pavê perguntando “e as namoradas?” ou “nossa, como você engordou”. Hoje que namoro há quase quatro anos elas perguntam quando eu pretendo me casar e/ou sair da casa dos meus pais.

Sou publicitário de formação, mas trabalho na área comercial de uma multinacional japonesa. Não sei se faço o que gosto, na verdade tenho certeza que não, mas financeiramente ainda é mais lucrativo do que fazer o que gosto ganhando pouco – aliás, aquele clichê de “estude aquilo que goste” já deixou de existir faz tempo.

Talvez eu seja dramático e a ansiedade do meu signo (aries) faz com que eu não planeje nada e queira tudo para ontem. Ou talvez não.

A crise dos 30 também me faz auto avaliar e perceber que tenho uma cabeça que jamais imaginei ter, fico feliz por isso.

Hoje namoro alguém que cuida de mim como ninguém nunca cuidou antes – acreditem se quiser: eu planejo ~um dia~ me casar. Quem diria?

Tenho muita sede de mudanças e tenho uma relação de amor e ódio com a rotina. Já sou literalmente tio – aliás, o Pedro é uma das minhas alegrias também. Aprendo muito com ele, pasmem.

Quero viajar o mundo inteiro. Quero descontruir padrões impostos. Quero estudar, ser mestre. Quero casar e ter cachorros. Quero ser funcionário público. Quero amor. Quero amar. Quero ser livre. Quero ser muito feliz. Quero coisas que nem sei ainda, mas quero. Mas acho tenho muito tempo para fazer tudo isso. egundo Sandy sou muito “jovem para ser velho e velho para ser jovem”.