Introdução ao Blockchain
Porque precisamos de Blockchain?
A melhor maneira de responder isso é mostrando o problema que o Blockchain se propõe a resolver e um ótimo exemplo dele é transação bancária entre dois indivíduos.
Imagine que você quer fazer uma transferência bancária de R$ 1.000,00 para um amigo. O que você faz? Vamos dividir os passos para realizar essa transação para entendermos melhor:
- Você verifica se tem saldo suficiente em sua conta.
- Informa ao Banco que deseja transferir R$ 1.000,00 de sua conta para a conta de seu amigo.
- O Banco faz todas as verificações necessárias e, caso a transação seja aprovada, escreve em seu livro-caixa central uma nova entrada (tabela abaixo).
- O Banco atualiza os saldos das duas contas, reduzindo R$ 1.000,00 de sua conta e adicionando R$ 1.000,00 na conta de seu amigo.

Pronto, a partir desse momento, você pode informar ao seu amigo que os R$ 1.000,00 que você devia foram pagos. Mas e se o banco cometer um erro no meio do caminho? E se for transferido o montante para a conta de um desconhecido? Se o sistema do banco sofrer ataques para gerar transações falsas ou alterar valores das contas?
O Blockchain propõe uma maneira de eliminar esse livro-caixa central do banco. Mais que isso, propõe acabar de vez com a necessidade de um centralizador, nesse caso o banco, para realizar transações. Mas como?
A proposta do Blockchain é, de uma maneira bem superficial, distribuir esse livro-caixa entre todas as partes que fazem parte da rede, garantindo a imutabilidade dos dados e com segurança baseada no consenso das partes que a integram.
Imagine que todas as pessoas que fazem parte da Blockchain têm o seu próprio livro-caixa, dessa forma ao invés de informar ao banco que você deseja fazer uma transação financeira, você informa a todos os envolvidos na rede que deseja transferir fundos para seu amigo, onde os envolvidos devem chegar num consenso quanto a validade da transação. Para entendermos melhor esse fluxo, vamos dividir os passos novamente:
- Você verifica se tem saldo suficiente em sua conta.
- Informa aos membros da rede que deseja transferir R$ 1.000,00 da sua conta para a conta de seu amigo.
- Todos os membros da rede realizam as verificações necessárias e, caso a transação seja aprovada em consenso pelos membros, cada um dos membros escreve em seu próprio livro-caixa uma nova entrada.
- Já que os livros-caixa estão devidamente atualizados com essa transação, o cálculo do saldo, tanto de sua conta quanto o da conta de seu amigo, já incluirão o débito e o créditos respectivamente.

E o que ganhamos com isso? Dessa forma, poderíamos eliminar a necessidade do centralizador, nesse caso o banco, para realizar qualquer transação entre os membros da rede. Mas, que rede é essa que nós já citamos tantas vezes?
Entendendo a Rede por trás do Blockchain
Como já vimos, Blockchain funciona distribuindo os dados do livro-caixa. Para fazer isso, utiliza-se de uma rede P2P na qual todos os seus membros podem estar espalhados ao redor do mundo e não há nenhum centralizador envolvido no processo. A proposta da Blockchain é de que cada um desses membros tenha uma cópia completa do livro-caixa. Então no caso de um ou mais membros terem problemas, todos os outros possuem a cópia completa do livro-caixa atualizado.
Atualmente, a maior aplicação da tecnologia Blockchain é na criptomoeda Bitcoin. Mas uma coisa importante que vale mencionar é: Blockchain não é Bitcoin. Essa confusão é comum, já que o Blockchain foi, praticamente, criado para tornar possível o funcionamento da Bitcoin. Blockchain trata-se do mecanismo de armazenamento distribuído dos Ledgers (livros-caixa) da Bitcoin. Mais que isso, ele também garante a autenticidade das transações que foram feitas dentro da rede da criptomoeda.
Outro ponto importante é: Blockchain não é aplicável somente para transações financeiras. Qualquer cenário que seja baseado em transações pode fazer uso da tecnologia. Pode não parecer fácil de entender à primeira vista, mas vamos criar um cenário de exemplo para tentar esclarecer.
Imagine uma fábrica de cadeiras cujo processo de fabricação está dividido nas seguintes etapas:
- Montagem
- Colagem
- Lixagem
- Pintura e verniz
Se pararmos pra pensar, cada vez que a cadeira muda de setor uma transação é feita. Por exemplo: a cadeira é removida do setor de Montagem e colagem e levada para o setor de Lixagem. Se tivéssemos um registro para cada uma dessas etapas a representação do exemplo acima seria parecida com isso:

Bem parecido com a transação bancária que vimos anteriormente, não?
Vamos ficar por aqui, mas esse é somente o primeiro de uma série de posts sobre Blockchain. No próximo post vamos falar de maneira mais aprofundada como funciona na prática uma Blockchain.

