Em Os Persas de Ésquilo

Susa

Uma das mais antigas referências à natureza da democracia dos atenienses. E surge assim definida por Ésquilo: o regime daquele povo que não tem um senhor. “Não são escravos, nem súditos de ninguém”.

A peça foi produzida em 472 a.C., em conjunto com outras duas tragédias e um drama satírico (hoje perdidos), e com elas Ésquilo teria ganho o festival ateniense das Grandes Dionísias daquele ano.

Os persas é a mais antiga peça de teatro de que se conhece o texto completo. É de assinalar igualmente que é das tragédias gregas clássicas a única cujo tema se baseia em fatos contemporâneos do autor e não em histórias mitológicas. A ação decorre em Susa, capital da Pérsia, por alturas da Batalha de Salamina (480 a.C.), da qual Ésquilo participou como soldado. Curiosamente, esta batalha é analisada pelo lado do inimigo dos gregos, os derrotados persas. A trama roda assim em torno do comportamento dos persas, sobretudo dos nobres persas (representados no coro, logo na abertura), de Xerxes, o rei derrotado perante sua mãe, Atossa, e o fantasma do pai, Dario.

Personagens — Coro, composto de anciãos, distinguidos por nascimento e mérito. Eram os chamados fiéis. | Atossa, viúva de Dario, mãe de Xerxes. | Mensageiro Sombra de Dario | Xerxes, rei da Pérsia, filho de Dario.

“Corifeu
Vencida Atenas, submeter-se-á toda a Grécia.

Atossa
É pois o exército dos atenienses?

Corifeu
Tal como é muitos males já causou ao medas.

Atossa
Tem eles recursos, riquezas suficientes?

Corifeu
Possuem uma mina de prata, tesouro da terra.

Atossa
São arcos e flechas que lhes armam as mãos?

Corifeu
Não; mas fortes espadas, firmes escudos.

Atossa
Quem é seu senhor? Quem lhes comanda o exército?

Corifeu
Não são escravos, nem súditos de ninguém.

Atossa
Como poderão resistir e enfrentar o inimigo?

Corifeu
Não destruíram, porventura, o soberbo exército de Dario?

Atossa
Triste presságio para as mães dos que partiram.”