Pensando o simbionte social

Apenas uma inspiração — não um modelo — para quem quer entender o simbionte social. Vai na linha do: estude a vida (a autopoiese) para entender o social e depois esqueça o estudo da vida para entender o social (a alterpoiese).

“A transição da célula para a sociedade celular e o organismo animal é uma antiga história na evolução: os indivíduos agrupam-se em sociedades, as quais, por sua vez, tornam-se indivíduos. Sob pressões intensas da seleção, os protistas nadadores transformaram-se em protoctistas coloniais. Depois, na fase final do éon proterozóico, surgiram corpos de animais parecidos com o Trichoplax. A especialização de um número maciço de células em indivíduos integrados encontra-se na base da vida animal — e na dos grupos posteriores de fungos e vegetais”. Lynn Margulis, com seu filho Dorion Sagan (1998) em O que é vida?

Pensem aí. “Os indivíduos agrupam-se em sociedades, as quais, por sua vez, tornam-se indivíduos”… Upa! Agora pensem na pessoa como emaranhado. O simbionte social já é a pessoa prefigurativamente. Mas com o aumento dos graus de distribuição, conectividade e interatividade e, consequentemente, com a pressão centrípeta intensíssima do crunching (small-world networks), o emaranhado passa a se mover solidariamente e passa a dançar como uma pessoa.