Serei o que seremos

Fazemos parte, nós, capazes de ser amigos e amigas, aqui e alhures — ou seja, todos nós — de uma ordem. Não uma ordem preexistente, que sujeite as pessoas a alguma hierarquia e delas exija disciplina, obediência e fidelidade. E sim de uma ordem emergente, uma ordem configurada, cada vez de uma maneira diferente, pelo fluxo interativo da convivência social.

O bom é que mesmo sem termos qualquer sinal convencional de reconhecimento, nos reconhecemos imediatamente quando interagimos: por sintonia. E quando calha de fazermos qualquer coisa juntos, nossa ação é impulsionada por sinergia. É possível que, nesse processo, conformemos identidades coletivas, porém sempre provisórias, por simbiose, dando origem a novos mundos sociais e gerando novas pessoalidades que modificam as pessoas que fomos.

Essa ordem não tem nome; ou melhor, tem: ela se chama humanidade, uma prefiguração do simbionte social que será, fractalmente, as pessoas comuns que seremos. Somos, assim, uma espécie de Sense8s ou de clones, mas não no sentido biológico (como Orphan Blacks) e sim no sentido social, de filhos da rede-mãe: o bios (basic input-output system) do simbionte.

Quem entendeu isso profundamente, sem fazer qualquer pergunta (e não há mesmo ninguém a quem perguntar), é sinal de que pode se comportar como um tipo de sannyasin sem Osho e, desejando, fará parte dessa ordem emergente, ou seja, será capaz de achar a si mesmo ao entrar na multidão e de ser amigo ou amiga de alguém, sem necessidade de crer que haja uma ordem preexistente, que sujeite as pessoas a alguma hierarquia e delas exija disciplina, obediência e fidelidade.

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