Um ectoplasma cheirando a cuspe vomitado da boca de um Orc

O matemático da teoria do caos, Ralph Abraham (1992), constatou que “a espécie humana vem avançando cada vez mais para dentro do mal, do demoníaco e das formas de sociedade evolutivamente mal-sucedidas”. Como o tenho em alta conta, fiquei impactado com tão tenebroso juízo. Ele se referia à civilização patriarcal ou ao que chamou de Precedente Sumeriano. Mas mesmo assim pareceu-me pessimista demais.

Por outro lado, quando vejo o que está acontecendo no mundo desde o atentado ao WTC à chegada ao poder de bandidos autocratas na América Latina e na Rússia, quando reflito sobre a ascensão da Al Qaeda e do Estado Islâmico, quando vejo que o número de ditaduras e protoditaduras aumentou em vez de diminuir… fico me perguntando sobre o que de tão monstruoso se configurou neste início do século 21. Foi um contravapor em relação à década de 90 (aquela em que comemorávamos o surgimento da Internet para todos, da World Wide Web e a emergência de um terceiro setor).

Regressões já aconteceram, por certo, em outras épocas. Os anos 30 (que começaram com a Grande Depressão e terminaram na Segunda Grande Guerra) também foram um retrocesso em relação aos anos 20 do século passado (em que as pessoas se divertiam despreocupadamente com os filmes de Clara Bow e as danças libertinas de Josephine Baker).

Mas sei lá… Há algo mais obscuro ainda ocorrendo nestes primeiros anos do terceiro milênio. O que chamamos de história, se existisse como um fenômeno com estatuto próprio, se tivesse alguma imanência ou transcendência, seria uma substância estranha, uma gosma que se espicha contaminando tudo, algo assim como um ectoplasma cheirando a cuspe vomitado pela boca de um Orc.

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