Vamos conversar sobre ideias?

Em princípio não tenho preconceito em relação a qualquer corrente filosófica. Tenho, porém, um conceito em relação a algumas, que avalio como desumanizantes. O que, a meu ver, não podemos aceitar são as seguintes dezessete ideias:

1 — A igualdade como ideal supremo (e como pré-condição para a liberdade); ou a ideia de que não pode haver (verdadeira) liberdade sem (ou até que se alcance a perfeita) igualdade.

2 — A abundância como ideal supremo (que, para ser alcançado, exige a politização da economia como administração da escassez, em geral artificialmente introduzida).

3 — A utopia (qualquer utopia) como modelo a ser alcançado no futuro (e que, para ser alcançada, exige algum tipo de sacrifício ou de restrição às liberdades no presente).

4 — O esforço para consertar a natureza, a sociedade ou o ser humano (que teriam vindo com alguma espécie de “defeito de fábrica”).

5 — A ideia de que existe uma sociedade igual para colocar no lugar da sociedade desigual (e de que essa sociedade igual estaria em alguma espécie de mundo paralelo pronta para ser trazida — ou realizada — a partir das contradições da sociedade desigual, elidindo a evidência de que a sociedade igual é somente o conjunto das relações igualitárias que se traçam aqui e agora por meio de atos singulares e precários).

6 — A ideia de que existe uma História (assim mesmo, com H maiúsculo) e ela tem leis (que podem ser conhecidas por quem tem a teoria e o método corretos de interpretação da realidade).

7 — A ideia de que a superestrutura da sociedade (a política, a cultura etc.) é determinada em última instância pela sua infraestrutura econômica.

8 — A ideia de que o ser humano é inerentemente (ou por natureza) competitivo e de que as pessoas se movem buscando sempre maximizar a satisfação de seus interesses (que são, ao fim e ao cabo, egotistas).

9 — A ideia de que não é possível mobilizar a ação coletiva a não ser a partir de lideranças destacadas.

10 — A ideia de que não é possível organizar nada sem (uma boa dose de) hierarquia.

11 — A separação nós x eles (e todas as separações decorrentes dessa separação primordial: bem x mal, explorados x exploradores, povo x elites, esquerda x direita, socialistas x liberais, fieis x infiéis de qualquer religião ou seita, nacionais x estrangeiros, leste x oeste, sul x norte, brancos x não-brancos, heterossexuais x homossexuais etc.)

12 — A ideia e a prática da política como arte da guerra, ou como continuação da guerra por outros meios (a fórmule-inverse de Clausewitz-Lenin).

13 — O culto do conflito e a guerra como instituição permanente (e como realidade inexorável, sobretudo a guerra não-ocorrida como guerra-quente ou conflito violento — como o é toda guerra — mas latente e eternamente presente nos períodos considerados de paz.

14 — A ideia e a prática de que governar é comandar (uma força, um contingente, um exército, um povo).

15 — A ideia de que a luta de classes é o motor da história.

16 — A ideia de que a violência é a parteira da história.

17 — A construção e manutenção de inimigos.

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