Dois motivos e uma teoria para ser uma pessoa regular.

Bom, na minha curta trajetória da vida (nem tão curta) e da carreira profissional eu cheguei a uma teoria que gostaria de compartilhar com vocês. A teoria da regularidade.

Que a vida é feita de altos e baixos todo mundo sabe, o que as pessoas às vezes não querem ver é que irregularidade não faz bem mesmo que seja positiva. Ah, mas como assim irregularidade positiva Augusto? Eu vou tentar te explicar logo abaixo.

Motivo 1 — Irregular com tendência negativa:

Então, esse ai tá sempre com a corda no pescoço! Se hoje você se encontra na irregularidade negativa, abre teu olho que as coisas podem ficar feias pro teu lado. O irregular com tendência negativa é aquele funcionário que nem sempre consegue bater as suas metas e na maioria das vezes fica abaixo dela. Aquele funcionário que o gestor não pode contar pela irregularidade, não transmite credibilidade e por “n” motivos ele não cumpre com todas suas obrigações. Seria basicamente o perfil de jogador de futebol que muitos chamam de décimo segundo jogador, aquele cara que não é bom o suficiente para estar no time titular, mas às vezes ele aparece, não acrescenta muito e depois no jogo seguinte ele volta para o banco.

Motivo 2 — Irregular com tendência positiva:

Cara, todo mundo acha que esse é o grandão, às vezes dobra suas metas. Consegue ser muito mais que precisa. O estereótipo de craque irregular, como nosso menino Neymar no último mundial. Ele tende a ser um craque, mas a irregularidade dele decepciona tanto quanto a irregularidade de um jogador da várzea. Esse cara cria expectativa em milhares de pessoas e até em si mesmo. Pensa no tamanho da frustração desse jogador. Pensa no tamanho da frustração do funcionário que dobra metas e no mês seguinte nem sequer as alcança. Eles são uma incerteza gigante, e a culpa, por vezes, é deles mesmo.

“… Difícil encontrar forças para querer voltar a jogar futebol, mas tenho certeza que Deus me dará força suficiente pra enfrentar qualquer coisa…” Neymar via Istagram.

Teoria da regularidade.

No auge dos trintão eu como bom brasileiro amo futebol e também ouvir cronistas na rádio, e como eles também gosto de analogias, quando ouço esses mitos fico impressionado com a criatividade deles de comparar coisas do nosso dia a dia com futebol. E a minha humilde analogia aqui é comparar pessoas ou profissionais com jogadores de futebol, e para quem conhece um pouco eu pergunto, qual foi o jogador de futebol mais regular para você? Para mim, sem pestanejar, o Alex cabeção! Muitos ficarão chocados, mas eu vou me explicar.

Cara, o Alex é um mito! É obvio que, por mais que estejamos falando de regularidade, ele foi regular com notas 7,5 ou 9, na minha humilde opinião. Mas se prestem a ler o mínimo que for sobre esse gênio. E então vamos a analogia. Pensem em um funcionário exemplar em termos de educação, seu Networking sempre ótimo, ele não veste a camisa da empresa, ele sua o mesmo sangue! Se afasta com atestado em casos extremos, está sempre acima da média (nunca é o melhor) e é basicamente um gentleman para lidar em situações adversas. Líder nato, faz com que os outros sintam vontade em render, pela imagem que ele é. Se um dia algum gestor ou dono de empresa ler isso, nesse momento pensarão: Onde eu contrato esse perfil?

Vamos a uma passada rápida por quem foi e quem é Alex para o futebol. Jogou no Brasil em Curitiba, Palmeiras, Cruzeiro e Flamengo. Camisa 10 clássico, canhoto, era normalmente referência em todos os times, mas nunca foi o maior destaque. Foi de uma geração de ouro da seleção brasileira, onde dividia o campo com Adriano, Ronaldinho Gaúcho, dentre outros… Como bons brasileiros, os clubes do país sentiram falta dele quando o perderam, e o ídolo partiu para Turquia.

Na Turquia foram 9 anos. Lá ele foi devidamente reconhecido, por um futebol com pouca tradição. Onde poucos investiriam, talvez Alex teria ido para sentir-se com a importância que não lhe foi dado antes. Ele conquistou o povo turco, teve uma estátua construída em frente ao estádio do Fenerbache em sua homenagem e, hoje em dia, por onde os brasileiros passam na Turquia são questionados sobre Alex, poucos falam de Fenômeno, Romário ou sequer Pelé. O rei turco se chama Alex, o cabeção!

Nunca esteve nem entre os 10 melhores jogadores do mundo pela FIFA, somente em 3 anos foi considerado o melhor jogador do futebol turco e em 1996 foi considerado melhor jogador do Mercosul. Nunca jogou em times como Real Madrid, Manchester ou Milan, mas teve uma curta passagem pelo não tão expressivo Parma. Mas, pasmem, ele teve uma carreira de 18 anos, conquistou mais de 20 títulos como equipe e hoje é um dos comentaristas mais badalados da ESPN.

Esse cara teve uma carreira exemplar, duradoura e por vezes brilhante, ao contrário de grandes ídolos brasileiros que atingem o topo e lá ficam por um curto período, com algumas exceções é claro, Alex sempre se manteve em um nível médio para alto, esse homem foi o símbolo de funcionário padrão, bem relacionado, confiável e principalmente regular.

Sou gaúcho, colorado, nunca tive o prazer de ter Alex no meu plantel, mas sempre admirei ele por ser o jogador incrível que era e ainda mais pelo ser humano que se tornou.

Por um mundo (profissional e real) com mais “Alexs”, please!

Augusto Wyrvalski Duarte

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