Alckmin estará fadado ao ostracismo?

Filipe Freitas
Sep 8, 2018 · 3 min read

O movimento de análise crítica das candidaturas de Lula e Bolsonaro que fiz nas últimas postagens exige de mim também o direcionamento do olhar para a candidatura de Geraldo Alckmin.

Por ora no ostracismo, seu extenso tempo de televisão e as alianças com o centro fisiológico político brasileiro espalhadas pelas municipalidades podem catapulta-lo à luta por um lugar no segundo turno, confirmando a condição de favorito do sistema financeiro e da corporatocracia desde o início. Pesquisas e estudos produzidos pelo próprio mercado financeiro mostram que Alckmin é, há alguns anos, o candidato preferido das forças capitalistas.

Há suposições de que Bolsonaro teria surgido como um boi de piranha que daria lugar ao Alckmin no segundo turno no momento certo. Ao que parece, no entanto, a capilaridade e a iconoclastia do ex-militar mostram-se fortalezas que tornam sua candidatura difícil de ser abalada, desafiando os planos do PSDB e das forças que ele representa.

Como indicativos de uma força minimizada de Alckmin nesta eleição, tem-se um candidato pouco carismático em um partido que sofre frontalmente com o movimento antipolítico encabeçado por Bolsonaro e reforçado por João Amoedo. Estes três candidatos deverão dividir os votos da parcela à direita do espectro ideológico, o que se mostra um obstáculo para a alavancagem da candidatura tucana.

Entretanto, não se deve descartar o potencial eleitoral do Geraldo Alckmin. Ele é um quadro inteligente, tem trajetória e raciocínio consistentes e pessoalmente não duvido de sua intenção em criar políticas de desenvolvimento que consideram a elevação da qualidade de vida da população.

Por isso, no caso de um suposto segundo turno com Bolsonaro, eu não hesitaria em votar nele e inclusive faria campanha para evitar a vitória do Bolsonaro. Contudo, este seria, em minha visão, o cenário mais sombrio de segundo turno. Seria muito constrangedor ver o campo progressista e especialmente a esquerda petista votando no Alckmin para evitar o desastre. E, confesso, não tenho certeza se, em um segundo turno contra o Bolsonaro, os petistas chegariam a votar em Alckmin, situação que me traz inquietação.

Dito isso, quero expressar minha repulsa pelo projeto político que acompanha e sustenta a candidatura do tucano. O PSDB vem, há muitos anos, representando forças antirrepublicanas e mergulhadas no poço da corrupção. Pobres as mentes emocionalmente desfavorecidas que não tem desenvolvimento intelectual para uma análise crítica acerca dos dois grandes desafios da candidatura do Alckmin, em minha interpretação:

O primeiro desafio é perceber que as vias para a elevação da qualidade de vida da população que Alckmin professa se dá no aumento linear de produção de riqueza (a custos ambientais insustentáveis) e não em sua distribuição (a mesma lógica do João Amoedo).

O segundo desafio é que ele representa forças atávicas de controle social cujo desenho assimétrico dos donos ricos privilegiados em posição de dominação aos trabalhadores pobres continua intacto, o que definitivamente não parece sustentável a curto, médio e longo prazo.

Assim, sinto o impulso de alertar as forças progressistas para a conservação do ‘status quo’ que, operando às custas das classes trabalhadoras, vem representada pela candidatura do Geraldo Alckmin. Não o menosprezemos e consideremos a necessidade de uma união funcional do campo progressista que impeça sua ascensão forjada pelas mídias conservadoras e pelo mercado de capitais.

Sustentando uma posição de diálogo ao centro como a estratégia mais eficaz para conter o avanço do obscurantismo conservador neste momento de guerra ideológica, chamo a atenção para o potencial da candidatura da Marina Silva. Suas equipes executivas, institucionais e administrativas dialogam de frente com as forças conservadoras, chegam a considerar algumas de suas diretrizes, ao mesmo tempo que se mostram firmemente comprometidas com a justiça social e o fim da violência e dos privilégios oriundos das assimetrias sociais.

Marina e Eduardo mostram-se dedicados ao processo de criação efetiva de políticas públicas visando distribuição, descentralização, flexibilidade e equilíbrio dinâmico como diretrizes socioeconômicas em uma lógica de aproximação funcional entre capital e trabalhadores para criar um modelo racional de prosperidade e integração social.

#marina18

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