Bolsonaro: o estrago já está feito

Enquanto eu finalizava este texto, recebi a notícia da facada em Jair Bolsonaro em Juiz de Fora. Uma notícia impactante com severas implicações que não serão analisadas diretamente no texto que se segue.
A partir da análise crítica que fiz ao PT, no post anterior, percebi a necessidade de fazer também uma análise crítica à candidatura do Jair Bolsonaro, cuja participação neste processo eleitoral parece se alimentar da polaridade com o petismo. Bolsonaro é, em minha opinião, o retrato escancarado do atraso através de uma visão vazia e obscura de realidade.
Bolsonaro não está sozinho. Ele é porta-voz de uma turma muito inteligente amparada por estudos psicológicos de massas e utilizando-se da ignorância para reproduzir a figura do herói militar que traz conforto e segurança e conquista o imaginário popular sob a influência da indústria cultural norteamericana e seu apreço pela vitória sobre o inimigo. Bolsonaro emerge para derrotar o vilão, no nosso caso, a esquerda sob a liderança do Lula. Este herói é, contudo, apenas uma peça de uma engrenagem astuta.
A análise de sua candidatura indica que quem está com Bolsonaro não está para brincadeira e viu neste personagem um arquétipo ideal para tomar o governo federal e colocar em prática um plano de controle do orçamento nacional com a retomada do poder oligárquico e suas dinastias históricas amalgamadas com o sistema financeiro internacional. Um general como candidato a vice-presidente sugere complacência das forças armadas em torno deste grupo.
É sério que Bolsonaro tem ao redor de vinte por cento do eleitorado. Ainda que ele não vença, como confio que não vencerá (baseando-me na inteligência coletiva da população), o estrago desta campanha já está feito e será notado no aumento dos pensamentos belicistas infantis que se expressarão por um longo tempo, retrato da baixa eficiência e qualidade do sistema educacional brasileiro (investimentos acima da média e resultados abaixo da média).
Pobres as pessoas emocionalmente desfavorecidas que não têm desenvolvimento intelectual para uma análise crítica sobre a ostensiva manipulação cultural em torno da candidatura do Bolsonaro, elevando-o a uma posição de líder sem que ele, à luz da racionalidade, apresente qualquer argumento ou proposta que permita confiar em seu discurso de ordem.
Estou trabalhando para que Marina Silva venha a derrota-lo pelo conhecimento, pelo compromisso com a verdade e a ética, pela capacidade de organização emergente, já no primeiro turno.
Chegando ao segundo turno, intuo que Marina esteja forte o suficiente para superar qualquer candidato. Seu governo poderá favorecer a emergência de uma consciência ampliada e absorvida pelo doloroso processo educativo pelo qual, confiemos, estamos passando nestes últimos anos ao custo de uma crise aguda da nossa cultura.
Positividade neste momento, Marina Silva e Eduardo Jorge apontam para o futuro.